Brasília – Enquanto governos e setores da indústria lamentam o fracasso das negociações da Rodada Doha, na última semana, organizações da sociedade civil se manifestam a favor da suspensão do processo. A Rede Brasileira pela Integração dos Povos (Rebrip), por meio de nota, afirmou que o prosseguimento das negociações resultariam em "graves conseqüências para os povos das diversas partes do mundo".

Essas conseqüências, de acordo com a nota, dizem respeito a liberalização do comércio de bens industriais e serviços por parte dos países do Sul, em troca da abertura de mercados no Norte para exportações agrícolas. "Isto significaria a cristalização de um modelo em que os países em desenvolvimento continuariam como exportadores de commodities [produtos cujo preço é determinado em bolsas de mercadorias] agrícolas e os países desenvolvidos como fornecedores de tecnologia e bens e serviços de maior valor agregado", afirma o texto. "E por último, seria um golpe contra os direitos dos povos e a soberania dos países em relação à capacidade de formularem suas políticas públicas e industriais".

A Rodada Doha foi criada em 2001 com o objetivo de promover a abertura do mercado global, especialmente para aumentar a participação dos países em desenvolvimento no comércio exterior. A partir de 2003, quando os temas agrícolas e industriais foram introduzidos nas discussões, a rodada travou. O nó está na proposta de redução dos incentivos internos aos produtores agrícolas – os subsídios – e redução das tarifas aplicadas por cada país para a entrada de produtos agrícolas e industrializados em seus mercados.