A anunciada intenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de conversar com líderes da oposição sobre projetos de interesse do País foi recebida com cautela. Os líderes do DEM (ex-PFL) e do PSDB, senadores José Agripino (RN) e Arthur Virgílio (AM), respectivamente, afirmam que, mais do que tornar pública sua decisão, o presidente deveria acabar com procedimentos que terminam dificultando contato com a oposição.

No caso do PSDB, Virgílio citou a insistência de Lula em criticar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como desculpa para dificuldades que não consegue resolver em seu governo. ?Ele se contradiz menos quando envia medidas provisórias, do que quando ataca o governo do qual fui líder e ministro?, defendeu. Virgílio disse temer que a intenção de Lula se reduza a uma foto posada com parlamentares da oposição. ?A gente não precisa mais de fotos?, alegou. Já Agripino afirmou que a conversa com o presidente seria mais fácil se ele ouvisse as queixas da oposição quanto ao abuso no uso de MPs e no que diz respeito ao gasto público provocado pelo excesso de ministérios. ?Mas não tenho sentido acenos fatídicos do presidente rumo ao atendimento dessas reclamações?.

Mesmo com as ressalvas, os dois líderes e o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), reconhecem que é difícil para um partido recusar um ?convite institucional? do presidente da República. ?Agora, por mais que o clima da conversa seja cordial em nenhuma hipótese significará cooptação, adesão ou mudança do nosso ponto de vista?, ressalvou Tasso.