A palavra de ordem no Senado é cautela. Tanto a oposição quanto os aliados do governo evitam assumir uma posição precipitada sobre o destino do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL) sem antes ouvi-lo sobre a denúncia de que teria recebido ajuda financeira de empreiteira para pagamento de despesas pessoais. A preocupação dos senadores é com o desgaste do presidente da instituição. Mas, por enquanto, ninguém quer falar sobre eventual licença de Calheiros do cargo.
A despeito dessa atitude de cautela, o presidente do Senado terá de ser convincente em suas explicações para evitar um processo no Conselho de Ética ou mesmo sua convocação pela CPI da Navalha que deverá ser instalada na próxima semana. É a posição do senador Jefferson Peres (PDT-AM), que aguarda o pronunciamento de Renan que, por sua vez, cancelou a agenda no Senado esta manhã. "Ninguém está livre de ser investigado diante de uma acusação concreta. Nem mesmo o presidente do Senado", acrescentou Peres, ao lembrar que foi assim com o ex-senador Jader Barbalho, que acabou renunciando à presidência do Senado e ao mandato para escapar da cassação por conta de denúncias de corrupção.
O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) disse que também está aguardando uma manifestação de Renan Calheiros sobre as acusações. "Seria precipitado tomar uma posição antes de ouvi-lo", afirmou. A acusação de que o lobista da construtora Mendes Junior, Cláudio Gontijo, pagava pensão para uma filha do senador desde 2004, conforme divulga a revista Veja, é mais uma denúncia envolvendo parlamentares e cria um clima de insegurança no Congresso. "Estamos vivendo num momento de terrorismo. Temos que ter muito cuidado", alertou Heráclito.
Poucos senadores da bancada do PMDB estavam presentes hoje no Senado. Ontem, Renan conversou com alguns colegas, mas não comentou sobre a matéria de Veja. Na quarta-feira, a bancada do partido vai se reunir e a expectativa é de que até lá o presidente do Senado já tenha prestado seus esclarecimentos.


