Mesmo com a estiagem e o baixo nível dos reservatórios, está garantido o fornecimento de energia elétrica para o Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Segundo o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema (ONS), Hermes Chipp, está descartado o risco de racionamento. ?São as piores vazões de afluência nos reservatórios da história. Mesmo nessa condição e, se ficar ainda mais crítico, não há risco nenhum (de racionamento). A estratégia de transferência da Região Sudeste e Centro-Oeste atende cerca de 65% da carga necessária para o Sul?, afirmou o diretor do NOS.

O diretor esteve nesta quarta-feira (26) pela manhã reunido na Copel com representantes de 20 empresas da Região Sul para tratar do fornecimento e do intercâmbio de energia entre Sul-Sudeste. Segundo ele, ?também não há obrigatoriedade de economia por parte do consumidor, se for uma coisa voluntária ótimo, mas ainda não há a menor necessidade?, garantiu.

Desde o início da estiagem, que castiga todos os Estados do Sul, o intercâmbio de energia tem garantido o fornecimento da Região. A carga total dos três Estados chega a 8.000 MW, dos quais 5.200 MW estão sendo transferidos da Região Sudeste para o Sul. ?É uma solução e a energia tem o mesmo preço, não há prejuízo para ninguém. Este é um mecanismo que o próprio Sistema Interligado prevê?, afirma o presidente da Copel, Rubens Ghilardi.

Em 2001, quando a situação era inversa e o Sul enviava energia para as Regiões Sudeste e Nordeste, esse mesmo mecanismo aliviou o problema com a baixa dos reservatórios e a pouca produção local. ?Investimentos foram feitos e a capacidade de trânsito nas linhas chega a 5.300 MW por dia?, afirma o diretor do ONS. ?Com isso estamos preservando o nível dos reservatórios do Sul, que estão com uma média de 28% de acumulação e garantindo o atendimento à região. Não há o menor risco de racionamento?, confirmou Chipp.

Na reunião com representantes de empresas do setor elétrico do Sul, o diretor do ONS apresentou as medidas que estão sendo adotadas para garantir e até aumentar o intercâmbio de energia, bem como aumentar a geração própria na Região. Usinas termelétricas como a Usina Elétrica a Gás de Araucária, que possui potência instalada de 468 MW e deverá entrar em operação até o final de agosto, e mais cinco geradoras térmicas do Rio Grande do Sul, que somam juntas 1.056 MW, também vão contribuir para elevar a geração própria da Região.

Sem racionamento

O nível dos reservatórios da Região Sul está com uma média de acumulação em torno de 28%. A bacia do Rio Iguaçu, a mais representativa em termos de geração de energia entre os três Estados, está hoje com acumulação de 18,9%. O Iguaçu alimenta as três maiores usinas da Copel e mais duas usinas da Tractebel.