O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) fará um apelo para que o governo brasileiro assuma o seu custo com a manutenção dos 4.000 refugiados estrangeiros no Brasil, de US$ 780.000, para que esses recursos possam ser destinados à ajuda humanitária no Líbano. O representante do Acnur no Brasil, Luiz Varese, informou hoje que vai apresentar o pedido nos próximos dias ao Itamaraty. Vai, também, aconselhar a sociedade brasileira a evitar a coleta de suprimentos – que gera custos adicionais de transporte e de logística – e a preferir o envio de doações financeiras às vítimas.

O Acnur estima que a assistência humanitária aos libaneses exigirá a coleta de US$ 18 milhões em todo o mundo, dos quais US$ 7,8 milhões seriam destinados à construção de abrigos e à distribuição de itens domésticos. "A situação no Líbano é verdadeiramente trágica, do ponto de vista humanitário, e tende a piorar nos próximos meses, com a chegada do inverno. Os custos das operações de ajuda triplicam nesse período", afirmou Varese. "A guerra, por si, é um horror. Mas, nesse caso, não se pode falar em dano colateral. A população civil é o alvo", completou.

Os dados da Anuc mostram que 880.000 libaneses deixaram suas casas – algo como 19,5% da população do país. No Sul libanês, a proporção é de três em quatro habitantes. Pelo menos 100.000 pessoas necessitam de ajuda humanitária direta e emergencial. O Acnur avalia que a situação deverá se agravar, uma vez que Israel não aceitou a criação de um corredor humanitário, o que exigiria uma negociação diplomática, e rompeu a trégua de 48 horas decretada no domingo.