Pelo menos 8 dos 13 deputados acusados de quebra de decoro parlamentar por causa das denúncias do mensalão vão mesmo enfrentar os processos de cassação, sem apelar para a renúncia ao mandato. Dos 6 petistas que tiveram processos enviados ao Conselho de Ética esta semana, Professor Luizinho (SP) e João Magno (MG) já resolveram não renunciar. Os demais são os 4 denunciados do PP – o presidente do partido, Pedro Corrêa (PE), o líder José Janene (PR), Pedro Henry (MT) e Vadão Gomes (SP) -, o pefelista Roberto Brant (MG) e Wanderval Santos (PL-SP).

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O prazo para a renúncia em tempo de salvar a candidatura em 2006 acabará segunda-feira, quando o Conselho de Ética deve abrir os processos. Mas os acusados do PT articulam-se para ganhar mais tempo: João Paulo Cunha (SP), Paulo Rocha (PA), José Mentor (SP) e Josias Gomes (BA) avaliam a conveniência de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão da Mesa Diretora de aprovar a remessa de todos os casos juntos ao conselho.

Eles estão convencidos de que a Mesa desrespeitou o direito ao "devido processo legal", garantido pelo Supremo, ao julgá-los "em pacote" e sem diferenciar penalidades. Ao mesmo tempo, porém, temem que o apelo à Justiça irrite os colegas deputados que darão a palavra final sobre cada caso. Por causa disso chegaram a pensar em recorrer ao plenário da Câmara contra a decisão da Mesa. Mas não podem fazê-lo. A assessoria técnica e jurídica da Casa avalia que não cabe recurso ao plenário porque só a Mesa ou um partido têm autoridade legal para entrar com representação contra um deputado no Conselho de Ética. Sendo assim, a decisão não pode ser revista por um plenário que não tem a prerrogativa da representação.

Independentemente dos recursos, Luizinho e Magno não cogitam de renunciar porque estão convencidos de que têm boas chances de absolvição no plenário. "As provas coletadas para esclarecer meu caso me inocentam", diz Luizinho.

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No caso do único pefelista denunciado, as expectativas são opostas. O PFL bem que tentou, mas não conseguiu convencer Roberto Brant a renunciar para se candidatar novamente no ano que vem. A direção do partido o considera um excelente quadro político, por sua correção e lisura, mas ninguém tem dúvidas de que, no caso de um processo, não escapará da degola. Não só por ter confessado que recebeu contribuição de campanha da Usiminas, não declarada à Justiça Eleitoral, mas porque os partidos governistas não perderão a chance de condenar um pefelista.