Faltam exatamente cem dias para o início dos Jogos Pan-Americanos do Rio, que acontecem de 13 a 29 de julho. Agora, as incertezas quanto o término das obras, por causa dos constantes atrasos, já não existem mais. As principais interrogações passaram a ser o grau de excelência com que serão entregues e a realização de eventos para testá-las.

Desde que o Rio ganhou o direito de ser a sede do Pan, no dia 24 de agosto de 2002, o sonho dos organizadores era chegar em 2007 com todas as instalações prontas. Tanto que as várias obras estavam marcadas para serem concluídas no ano passado.

Um exemplo é o Estádio Olímpico João Havelange, no Engenho de Dentro, zona norte do Rio, que deveria ter ficado pronto em julho de 2005. Mas, depois de vários entraves jurídicos, como desapropriações e problemas na montagem do teto, a conclusão da obra ficou para a primeira quinzena de junho. Esse atraso, inclusive, fez com que o GP Internacional Rio de Atletismo, agendado para maio, fosse cancelado.

Outro equipamento que perdeu uma competição por causa dos problemas para finalizá-lo foi o Maracanãzinho. Em setembro do ano passado, o ginásio seria palco do Mundial feminino de basquete, que precisou ser transferido para São Paulo diante do atraso nas obras, ainda não concluídas.

Ainda em 2006, a Cidade dos Esportes no Autódromo Internacional Nelson Piquet, em Jacarepaguá, também deixou de ser entregue: a Arena Multiuso, em julho, o Parque Aquático e o Velódromo, ambos em dezembro.

Os meses perdidos tentam ser recuperados com o andamento em ritmo acelerado das obras e a criação de turnos noturnos. Responsáveis pelas construções, os governos federal, estadual e municipal asseguraram a conclusão dos equipamentos da maneira como foram planejados.

Mas a Vila Pan-Americana é um exemplo de que a qualidade oferecida nas instalações pode não ser a imaginada, justamente pela falta de tempo para a finalização nas obras. Os 17 prédios que alojarão os 5.530 atletas do Pan ficaram prontos e já estão recebendo a mobília. Só que a urbanização do terreno está apenas em seu início.

O presidente da Organização Desportiva Pan-Americana (Odepa), Mário Vázquez Raña, chegou a brincar com a situação na semana passada. "Disse ao prefeito do Rio (César Maia) que faltava verde na Vila. Ele me falou que se a urbanização não ficar pronta, mandará pintar o chão de verde", ironizou.

Na Vila, os atletas também estão sob a ameaça de precisar conviver com o mau cheiro do canal do Arroio Fundo, que contorna o local. Até mesmo o secretário municipal de Obras e Serviços Públicos, Eider Dantas, admitiu que a Unidade de Tratamento de Rio (UTR) pode não ficar pronta a tempo para o Pan. E a solução será a utilização de produtos químicos para amenizar o odor.

Com tanto atraso no planejamento inicial, a intenção de realizar competições em todas as instalações antes do Pan ficou comprometida. A cem dias do início dos Jogos, somente três eventos-testes estão confirmados: os desafios internacionais de Remo, na Lagoa Rodrigo de Freitas, e de Handebol, no Centro de Convenções Riocentro, nos dias 29 de abril e 14 de junho, respectivamente, além do Campeonato Mundial de Pentatlo Moderno, na Vila Militar, em 18 de maio.

Apesar da escassez de tempo, o Comitê Organizador dos Jogos (Co-Rio) mantém a promessa de organizar eventos para testar outras instalações até o início do Pan. "Confio que as obras ficarão todas prontas e com nível olímpico. Estamos no prazo e serão testadas", disse o presidente do Co-Rio, Carlos Arthur Nuzman, após ser obrigado a anunciar mais um atraso no cronograma do Pan. Desta vez, na venda dos ingressos, que deveria ter sido iniciada nesta quarta-feira, mas só irá ocorrer a partir do dia 27 de abril.