Insisto em voltar à barbárie que os americanos fizeram num dos berços da humanidade. Pois se hoje se chama Iraque, na antigüidade clássica era conhecido como Pérsia.

Afinal, o estopim da tal guerra do presidente que burlou as eleições para assaltar o poder da nação mais poderosa e única superpotência do mundo não seria o fato de os iraquianos, capitaneados pelo ex-aliado dos EUA, Saddam Hussein, ter estocado e estar pronto a atacar com suas armas de destruição em massa todos os países infiéis que seriam contra o Corão?

Então vou fazer a pergunta capital: onde estão as tais armas de destruição em massa? Ora, simplesmente elas não existem. Elas foram apenas uma desculpa boba para que uma nação poderosa, respondendo à ansiedade de seu mais poderoso lobby (o da indústria armamentista), fizesse do Iraque um dos campos de testes de suas mais novas engenhocas.

O resultado da guerra foram mais de mil mortos e quase cinco mil feridos. Isso somente para, ao invés de acabar com uma ameaça/desculpa colocar no poder do segundo mais rico país em petróleo no Oriente Médio amigos capazes de fornecer óleo cru para a voluptuosa necessidade do primeiro mundo dessa commoditie.

Há cerca de duas semanas, o G-8 se reuniu, e a birra dos franceses, alemães e russos em relação à guerra foi posta de lado. Todos fizeram as pazes e agora eles desenham o mapa da reconstrução, para ver com quem vai ficar o maior naco. Interesses se sobrepõem à autodeterminação de um povo.

Como forma de acalmar a pretensa sanha dos representantes das nações ricas em relação à guerra, George W. Bush apresentou um “plano de paz” para o Oriente Médio. Bem se viu que ele é capaz de fazer tudo, menos promover a paz. Uma semana depois de deixar a região, novas barbáries de lado a lado começaram a tomar conta dos dois lados da fronteira palestino-israelense. Tudo porque os radicais de parte a parte não acreditam na sinceridade da proposição de mister número um.

Com isso, o que havia sobrado de ilusão a este pobre escriba, se transformou em fumaça. Ninguém no mundo pode conter o mandatário número um dos Estados Unidos da América, qualquer que seja a vontade dele.

Não se surpreendam se daqui a alguns anos, quando o petróleo deixar de ser o “objeto de desejo” dessa nação, e a água, que a cada dia que passa fica mais escassa, for a desculpa para que eles invadam a Amazônia, e a encampem para “preservar do descuidado governo brasileiro este bem que é de toda a humanidade”.

Ninguém pode se servir de desculpas como essa e sair impune. É preciso que o mundo enxergue o absurdo que ocorreu no Iraque e puna as pessoas que lá foram fazer a guerra para tomar o poder. Afinal, ninguém ouviu falar na autodeterminação dos povos nos EUA. E a Estátua da Liberdade? Perdeu o sentido de existência? Realmente, o mundo perdeu completamente o sentido e os valores deixaram de existir.

Márcio Rodrigues é editor-adjunto de Esportes de O Estado e Tribuna do Paraná.