Uma guerra, seja ela por qual motivo for, já é um ato de completa insanidade. Na história da humanidade, não existe uma sequer que se justifique. Afinal, não existem vencedores numa guerra. Somente mortes. Perda de vidas humanas, o que por si só já é um grande argumento para se evitar um conflito, seja ele de que tamanho for.

Pois bem, dito isso, vamos tentar entender as razões que nos levam a ver, a cada hora, a alteração hipócrita da programação normal dos canais abertos de nossa televisão para passar flashes do absurdo que está acontecendo no Oriente Médio. Comecemos por aquilo que foi o “estopim” deste verdadeiro absurdo imbroglio jurídico que nos levou à intervenção militar no Iraque. Não que Saddam Hussein seja um ser humano. Mas igual a ele, existem dezenas de ditadores pelo mundo. Na África, pelo menos uma dezena e meia, na Ásia outros tantos. Mas não, os EUA a ele imputam comandar, armar, treinar e proteger terroristas da linhagem dos que atacaram e derrubaram as torres do World Trade Center, e jogaram sobre uma quina do Pentágono uma aeronave civil.

Pois bem. Quem são os parceiros dos EUA na intervenção em questão. Os britânicos e os espanhóis, certo? Pois bem, esse trio não tem um serviço secreto conhecido mundialmente por obter grandes resultados ao longo da história? Então por quê não o utilizam para neutralizar/conter o tal ditador sanguinário?

A razão de se fazer uma guerra justamente no Oriente Médio; exatamente no Iraque, país cujo subsolo é o segundo mais rico em reservas de petróleo no mundo (só perde para as reservas petrolíferas da Arábia Saudita) é econômica: os norte-americanos são consumistas contumazes deste maldito combustível fóssil que impregna de poluição o mundo todo. Ou seja, ao invadir o Iraque, eles estão garantindo um bom quinhão do petróleo do mundo. Afinal, já são praticamente sócios do Kwait e muito mais que parceiros da Arábia Saudita.

Outro ponto, é o gasto com uma gigantesca e desproporcional máquina de guerra, a qual está consumindo bilhões de dólares para que seja tirado do poder um tirano. Se os tais serviços de inteligência são tão eficientes, por que não montar comandos capazes de invadir e capturar o tal cidadão, deixando para que o povo iraquiano tome conta dos “escombros” de seu algoz, escolhendo por si só um novo representante?

A razão é simples. Quem acham que ajudou a bancar a farsa eleitoral que se transformou na eleição de George W. Bush à Casa Branca? Pois é, foi a tal da indústria bélica americana, uma das que mais funciona e trabalha, como se, em pleno século XXI a humanidade não fosse capaz de resolver, pelo diálogo, qualquer discordância.

No caso, movimentar a tal máquina bélica, foi a forma de pagar a cara campanha que não foi suficiente para legitimar a eleição de Bush II. É isso aí.

Para finalizar, por que a CNN, a Globo e outras redes de televisão não mostraram a guerra no Timor Leste? Ou pelo menos transmitem os intermitentes combates entres as tribos que lutam pelo poder em algumas nações africanas? Ah, é porquê a África e seus famintos não dão a audiência de uma Segunda Guerra do Golfo!

Márcio Rodrigues (marcior@pron.com.br) é editor adjunto de Esportes em O Estado.