O advogado Francisco Alpendre foi afastado de suas funções na diretoria-jurídica da ParanaPrevidência. Parece uma notícia absolutamente normal, mas a leitura da matéria da repórter Elizabete Castro, na edição de ontem de O Estado, mostra o ?inusitado? da situação. Alpendre saiu porque denunciou supostas irregularidades na aplicação de recursos do fundo de pensão dos servidores estaduais e o acusado, o diretor-financeiro da entidade Mário Lobo Filho, segue no seu cargo.

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É triste o destino de quem não segue a cartilha traçada pelo governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB). Não se pode fugir um instante sequer da rota oficial, pois qualquer deslize – mesmo que seja em nome da austeridade – é cobrado com veemência. Neste caso, ainda pior, pois Alpendre defendeu justamente o que o mandatário exige, que é o investimento de dinheiro público em bancos públicos. O diretor-financeiro fez exatamente o contrário, aplicou R$ 50 milhões em uma instituição privada. Quem sobrou? O defensor das idéias do governador.

Mas o que fica evidente neste caso é que não é possível questionar nenhum desvio de conduta do governo ou de seus áulicos externamente. Falhas do sistema público, para a base que apóia o governador, são assuntos de economia interna, que não podem ser divulgados, ainda mais através da imprensa que tanto irrita os palacianos.

Claro que a demissão e a nomeação de diretores da ParanaPrevidência é algo que compete aos responsáveis pela entidade – no caso, o atual presidente, desembargador Munir Karam. Só que a surpresa pela saída de Alpendre, da forma como ela aconteceu, indica que a demissão do advogado não foi simplesmente uma renovação de quadros, mas sim um ?cala-boca? para que ninguém mais tenha vontade de denunciar ou criticar atitudes oficiais pelos meios de comunicação.

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Este parece ser o jogo palaciano. Para alguns, calar-se ante uma decisão errada deve ser mais interessante, pois significa a sustentação nos cargos e a obediência ao líder maior. Enquanto isso, a transparência anda longe dos prédios oficiais.