Rafael Villac V. de Carvalho

Sem dúvida o País hoje atravessa um momento único em sua história, onde a economia estável tem trazido avanços ao setor produtivo, o que, contudo, ainda não se refletiu da mesma forma na distribuição de renda da população em geral.

O cenário atual tem como fonte principal a estabilidade econômica mundial e a prosperidade de seu desenvolvimento, após sucessivas crises, entre as quais podemos citar a crise russa, dos tigres asiáticos e do estouro da bolha das empresas de internet nos Estados Unidos e, agora, a crise do setor imobiliário americano.

O Brasil passou, ao longo dos últimos anos, de economia exportadora de matéria-prima e importadora de produtos industrializados, para economia produtiva de bens com tecnologia de ponta em alguns setores, como o aeronáutico, energia e mineração, onde Embraer, Petrobras e Companhia Vale do Rio Doce são seus maiores expoentes.

O país, apesar de ter conseguido atingir local de destaque em tais segmentos de tecnologia de ponta, não deixou de se desenvolver nos setores tradicionais de suporte de sua economia.

Exemplo é o setor de produção agrícola, onde o país, com pouca expansão da área cultivável, em razão da constante e importante preocupação ambiental, vem batendo recordes de safra e vem consolidando sua posição como principal abastecedor global de alimentos. Isso num momento tão importante, onde China e Índia têm uma demanda cada dia maior por tais produtos, em conseqüência da maior capacidade de suas populações em ter acesso à alimentação.

E o crescimento do país, nesses campos, seja de alta tecnologia, seja de produtos agrícolas, tem se refletido na demanda por serviços jurídicos especializados.

Cada vez mais, empresas multinacionais com interesses no Brasil exigem que seu corpo jurídico tenha uma visão globalizada de mercado, conhecimentos específicos dos temas relativos aos investimentos e relações comerciais internacionais, além de bases de apoio locais, de preferência nos grandes centros financeiros mundiais, onde, normalmente, tais transações são formalizadas.

Apesar do crescimento e estabilidade econômica do país ainda estarem longe do ideal, tais fatores, entretanto, já surtem efeito dentro do universo jurídico, o que tem se retratado pela demanda por bons profissionais do direito, altamente qualificados, para assessorarem seus clientes no mercado global, com conhecimentos em áreas que antes não faziam parte do direito tradicionalmente, como economia e finanças.

Porém, a expectativa das empresas com relação aos advogados brasileiros que contratam atingiu, também, um patamar global de exigência. O que se espera dos advogados é a mesma competência e conhecimento que, ao longo dos anos, vem sendo mostrada por advogados internacionais, que, por sua alta qualificação e capacitação, muito contribuíram e têm contribuído para a expansão da economia global.

O Brasil só poderá demonstrar, no curto prazo, que está preparado para crescer como economia global, se seus advogados estiverem preparados para o exercício de sua função com conhecimento geral do que ocorre no mercado interno e global, agregando tais características com o conhecimento, em profundidade, do negócio de seu cliente.

Rafael Villac Vicente de Carvalho é advogado da área empresarial. rvc@peixotoecury.com.br