O presidente Lula não gostou do empate do Brasil com o Peru e o classificou como um “vexame”. No bate-pronto, o técnico Carlos Alberto Parreira, campeão mundial, respondeu o que o presidente não precisava ouvir, torcedor também que é: cada macaco no seu galho. No dia seguinte, Lula, sabe lá movido por quais profundas reflexões, capitulou de improviso: “Não vou mais falar de futebol com vocês”. Se falasse, o que diria do empate com o Uruguai, aqui em Curitiba?

O presidente tem mais o que fazer. Ou percebeu que o futebol imita a vida, coisa que pode ser comparada a seu próprio time – o de ministros – sobre o qual Parreira declarou abster-se de fazer comentários. Quando falaram a Lula que a seleção brasileira de futebol empatou porque estaria escondendo o jogo, ele observou que os canarinhos “esconderam demais”. O jogo “só tinha 90 minutos”… No caso de Lula, o tempo são quatro anos, dos quais já decorreram já quase onze meses. E o jogo continua empatado, a seleção igual e com os problemas de sempre, as substituições em negócio estão demorando mais do que o prometido, a torcida, antes esperançosa, já impaciente…

É bem verdade que no galho de Lula existem mais problemas que no de Parreira. Mas também é verdade que aqui a macacada envolvida também é em maior tropa, e dela se espera que não esconda o jogo, mesmo porque não faz sentido algum omitir coisas como, por exemplo, a criação de dez milhões de empregos. Também não dá para esconder a corrida das pequenas e médias empresas aos bancos, em busca de financiamento para pagar o 13.º salário dos empregados, já incentivados a tomar dinheiro emprestado para o faz-de-conta de um espetáculo do crescimento que vem mês, passa mês, não chega.

Também não dá para esconder esse fiasco das filas de velhinhos diante de postos e agências do INSS e serviços de protocolo da Justiça, País afora. Pensava-se que o problema estivesse no recadastramento dos que têm mais de 90 anos, e estava. Mas esse do reajustamento dos proventos e pensões é ainda mais grave. Por causa de quatorze bilhões de reais (o montante calculado do rombo se todos os reajustes fossem feitos como devem), o Planalto atira outra parte da velhice brasileira – um milhão e quatrocentos mil interessados – aos leões das filas do Poder Judiciário em busca de decisão nova sobre matéria já julgada. E em vão tentam dizer a Lula que melhor seria dispensar o processo e determinar o recálculo. Quem quiser justiça, que a procure. O resto é economia nos caixas da República… No galho da Previdência existem outros problemas, incluindo os da reforma. Mil macacos nos mordam… isso não vai terminar assim.

Também no galho da reforma tributária há rebuliço. Com a exclusão dos macacos da iniciativa privada (empresários) e de todos os macacos contribuintes dos debates, os do governo decidiram unilateralmente fatiar a matéria, arrastando a discussão até o ano 2007. Mas sem dar tréguas ao processo arrecadatório que interessa ao governo, e que seguirá contando com a condição já permanente da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira – CPMF, uma vez cogitada para salvar a saúde pública, hoje danação em cascata dos contribuintes.

Nos galhos do Planalto, além de numerosos, existem mais espinhos que flores. A violência urbana e rural recrudesce com a multiplicação de favelas e invasões. Pouco ou nada se faz para a garantia constitucional dos cidadãos à segurança e à habitação. Na fronteira com o Paraguai reprime-se o contrabando promovido por hordas de desempregados, enquanto alguns bem empregados juízes, delegados e graduados profissionais se escondem nos galhos públicos que ocupam para chefiar quadrilhas, cometer extorsões, soltar bandidos, tudo em nome da Justiça à qual juraram cega subordinação. Pensando bem, Parreira deve estar coberto de razão. Neste País tão bonito e grande, se cada macaco cuidasse do seu galho, a floresta seria melhor. Para todos.