Todos os dias somos interpelados por fatos do cotidiano permeados de questões religiosas, que nos convocam à reflexão – manifestações de regimes teocráticos, capas de revista anunciando ou denunciando algum tipo de incursão catequizadora, igrejas fundadas por insight de algum iluminado, etc., estão entre os assuntos ligados ao tema com que mais travamos contato. Para conviver com essa diversidade, no campo religioso, não basta conhecer sua existência, mas é também necessário saber reconhecê-la e decodificá-la, coisa que não se aprende da noite para o dia, mas em um processo intencional e organizado de educação.

A compreensão da História e decodificação dos símbolos, a interpretação e modificação da cultura, a reverência nas relações sociorreligiosas, a ressignificação do fato religioso na busca de sentido, a compreensão da experiência religiosa e do sagrado, formam o grupo de competências desenvolvidas ao longo da Educação Básica, na disciplina de Ensino Religioso (ER).

O Ensino Médio, por sua vez, constitui o momento em que os educandos têm a possibilidade de sistematizar os conhecimentos construídos. A contextualização desses saberes se dará com muito mais significado nessa etapa do processo educacional.

A construção do saber religioso está intimamente relacionada à compreensão dos símbolos e significados historicamente objetivados pelos povos. Não basta que o ER possibilite o contato com elementos religiosos. É preciso que os alunos aprendam a reconhecê-los em seu contexto, reinterpretando-os e dando-lhes novos sentidos.

A contextualização é um princípio fundamental durante a aprendizagem, pois ouvir falar é muito diferente de experimentar com a intenção de aprender.

A experiência religiosa ao mesmo tempo insere-se e parte da experiência humana. Assim, a relação com o mundo, com outras pessoas e grupos humanos é fundamental para o bom desenvolvimento do processo de aprendizagem. Na experiência religiosa, o foco é a relação com o sagrado, com o mistério transcendente, mas sempre em relação ao imanente, às realidades vividas, pois, segundo Edgar Morin, todo conhecimento deve contextualizar seu objeto para ser pertinente.

O contexto mais próximo do aluno e mais apto o atribuir significado aos conteúdos de aprendizagem é aquele que abrange a vida pessoal, o cotidiano e a convivência.

No Brasil, estamos envolvidos em uma pluralidade religiosa de proporções grandiosas. Além de nós brasileiros termos nascido de três fontes culturais – européia, africana e indígena – com o passar dos anos vimos surgir mais igrejas e grupos religiosos que se autodenominam como novo messianismo, portadores da salvação. É nessa sociedade que os jovens estão e é dela que devem apreender, compreender e dar novo significado ao fato religioso e ao sagrado no mundo.

Isto não podem os furtar aos nossos educandos: o sabor de aprender e vivenciar o saber religioso, pois, como resume bem Fernando Pessoa no poema ?Guardador de rebanhos?:

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la.

E comer um fruto é saber-lhe o sentido…

Uma aprendizagem de desaprender…

E com as mãos e com os pés.

O essencial é saber ver, Saber quando se vê, Nem ver quando se pensa.

Isso exige um estudo profundo.

Para maiores informações sobre o Ensino Religioso consulte www.gper.com.br.