O efeito fumaça

Muitos já esqueceram que a Eco-92 foi realizada no Rio de Janeiro, há 15 anos, com a preocupação de plantar as linhas fundamentais do grande esforço para frear a velocidade das mudanças climáticas mundiais, então prenunciadas. Em novembro último reuniu-se a 12.ª Conferência sobre Mudanças Climáticas (COP12), com participação de 165 ministros de Estado, em Nairóbi, capital do Quênia, mas o quadro não é auspicioso.

Técnicos da Organização das Nações Unidas (ONU), a quem cabe a desanimadora tarefa de coordenar as ações contra o desastre climático em nível mundial, informaram que entre 2000 e 2004 foi registrado o aumento de 2,4% das emissões de gases poluentes em 41 países industrializados.

Em resumo, o ar respirado por essas populações contém hoje 380 partes por milhão (ppm) de dióxido de carbono, quando, em 1992, a concentração era de 290 ppm. A gravidade do problema pode ser estimada pelo aumento de quase um grau na temperatura média da Terra.

É o que explica o cenário terrífico até então visto em sua gravidade apenas em peças ficcionais, do derretimento de geleiras, elevação do nível do mar, desertificação e inundações destruidoras.

Observadores do processo, tão lento em adotar correções quanto é célere em esgotar recursos naturais, concordam que todas as soluções recomendadas até aqui viraram fumaça.

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