A estrela do PT é uma só, mas tem cinco pontas, assim como o governo é formado pelo presidente e por colaboradores de primeira grandeza – os ministros. Se a estrela sobe, sobem junto as pontas. Se a popularidade do presidente desce, descem também com ele os ministros. Por isso, é bom saber o que cada um está fazendo. Ou melhor, o que não está fazendo, ou não está fazendo direito.

Com a reunião de quarta-feira última, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstra que dividirá com sua equipe os louros, mas principalmente os abacaxis que surgirem ao longo de seu governo. A avaliação sobre quem ajuda, quem atrapalha e quem deve melhorar aconteceu menos de uma semana depois que a executiva nacional do partido observou publicamente que o governo em geral está bom, mas muito devagar. Também pode representar a preocupação explícita do presidente com a queda dos índices, demonstrada pelas pesquisas de opinião pública. Segundo uma delas, a soma das avaliações positivas do governo caiu de 56,6% para 45% – mais que dez por cento num só mês! – enquanto a popularidade de Lula, que chegava a 83,6% em janeiro, desceu proporcionalmente menos: 78,9%. A mesma pesquisa demonstra que a desaprovação ao governo do PT quase dobrou, ao crescer de 6,8% para 12,4%.

É mais provável, entretanto, que a tática de Lula seja essa de se antecipar aos fatos. Dois meses e meio de governo é muito pouco para a composição de um perfil, considerando-se ainda que o Brasil começa a trabalhar para valer só depois do Carnaval. Mas os fatos e atos já podem indicar, por exemplo, que um José Graziano é, de mesmo, muito lento no processo de decisão à frente da prioridade número um do governo – o programa Fome Zero, que demorou dois longos meses para indicar os endereços para o recebimento das doações; que um Roberto Amaral não pode colocar a idéia da bomba atômica adiante das infinitas prioridades da Ciência e da Tecnologia; que um Olívio Dutra fala bastante mas tem poucos projetos e planos à frente da pasta das Cidades, sacudida por tantos problemas, incluído o da moradia; que um Anderson Adauto tem pouca pressa em revolver ingentes problemas no setor viário (principalmente rodoviário) brasileiro e ainda por cima requer cuidados especiais em função de seu passado; que Benedita da Silva, além de seu nebuloso envolvimento com o passado recente do Rio de Janeiro, pouco acrescentou até aqui na área de Promoção e Assistência Social.

E depois tem os que falam por conta própria, desautorizando o pensamento do governo, como o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, mais “amigo” dos sem-terra que dos proprietários invadidos, e o próprio Cristóvam Buarque, que tentou trazer para a Educação o cheque do Fome Zero, consolidando as doações pulverizadas de dinheiro a famílias carentes – uma boa idéia, infelizmente não compartilhada pelos demais do Planalto.

Se não existem reparos à ação de ministros como o do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan (um “craque”, no dizer de Lula), ou Márcio Thomaz Bastos, da Justiça (torpedeado pela ação do crime organizado) ou, ainda, Antônio Palocci, da Fazenda (que agora tem pela frente as incertezas advindas da guerra no Golfo Pérsico), isto não significa dizer que as coisas estão correndo às mil maravilhas. A prática das avaliações periódicas – e a divulgação de seus resultados – do governo pode ajudar e muito na manutenção da intensidade do brilho da estrela que despertou as esperanças brasileiras, até aqui nem de longe correspondidas.