Brasília – Entre os 24 projetos de pesquisas sobre saúde dos povos indígenas selecionados pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa), pelo Ministério da Saúde e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) está o da nutricionista Vivian Rahmeier Fietz, da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (Uems).

A partir de janeiro, ela vai trabalhar com 600 jovens índios da região de Dourados (MS) matriculados na rede pública de ensino. Nessa região, recentemente aconteceram as mortes de várias crianças índias em decorrência da desnutrição infantil. Fietz explica que sua pesquisa vai abranger crianças mais velhas, já em idade escolar, além dos adolescentes. "A idéia nasceu em função do próprio do problema que Dourados e região vem enfrentado que são os da desnutrição entre os povos indígenas", argumenta. "Nossa equipe quer verificar como está esse estado nutricional e a prática alimentar dessa parte da população indígena."

A professora norte-americana de medicina da Universidade de Harvard e de Educação em Saúde da Universidade de Fortaleza (Unifor), Marylin Kay Nations, outra vencedora do edital, também tem pesquisa nessa área. Ela vai estudar as práticas alimentares, de saúde bucal e de nutrição dos índios Jenipapo-Kanindé, do Ceará, e os Xavante, de Mato Grosso.

Para Nations, a expectativa durante os próximos dois anos, é de ajudar a população a identificar práticas que a comunidade já conhece e que podem promover a saúde oral e de nutrição. "A idéia é criar um modelo aqui, com pesquisas básicas de saúde bucal nessa população e também criar intervenções apropriadas pelas culturas que sirvam em outras regiões do país".

A pesquisadora acha importante que o governo focalize os grupos indígenas do Nordeste brasileiro. Segundo ela, trata-se de comunidades "pouco conhecidas pela população em geral e pelo sistema de saúde". Assim, diz, "estaremos diminuído as desigualdade sociais que existem com uma maior assistência à saúde."