O comportamento do motorista curitibano está mudando. A avaliação é dos técnicos da Diretran, órgão municipal de trânsito, a partir de levantamentos que apontam redução no número de multas aplicadas, queda na arrecadação com multas municipais de trânsito e, especialmente, redução no número de acidentes na cidade.
Segundo estimativas da Diretran, a arrecadação com multas de trânsito na cidade, neste ano, será 32% menor do que a previsão de orçamento feita no ano passado. Cálculos preliminares indicam uma arrecadação, em valores brutos, de R$ 41,8 milhões. A estimativa feita em 2003 para o ano de 2004 era de que chegaria a quase R$ 61 milhões.
Entre janeiro e outubro deste ano houve redução na arrecadação em praticamente todos os meses. Comparando com o mesmo período do ano passado, a redução até outubro já é de 30,9%. Dos valores brutos são retidos automaticamente os valores destinados ao Funset (Fundo Nacional de Segurança e Educação de Trânsito), ao Detran e à Celepar.
Multas
A tendência de redução já era observada desde o ano passado, quando 85,32% dos veículos de Curitiba não foram multados. Este percentual era o maior índice registrado desde 1999. Naquele ano, o levantamento indicou que 83,67% dos motoristas não cometeram nenhuma infração municipal. Em 2000 o percentual foi de 84,44%. Em 2001 o índice foi de 76,5% e no ano seguinte 73,99% dos motoristas sem cometer infrações municipais. "O ano de 2004 deverá ser fechado com novo índice de redução, o que é muito positivo porque revela que a maioria não comete infrações municipais", alega o diretor da Diretran, Carlos Alexandre Negrini Bettes.
Acidentes
Nos demais acidentes, também levando em conta a evolução da frota, a redução terá sido de 11,2%. A queda no número de feridos deverá encerrar 2004 com uma diminuição de 14,7% e a redução de mortes terá sido de 3,7%. Em 2003 a frota da cidade era de 791.286 veículos. A projeção para este ano é de 830.850 veículos.
Se a comparação for feita entre o ano de 1999 (quando foi iniciada a implantação dos radares na cidade) e a projeção para 2004, também será possível verificar a redução. Considerando o aumento de 21,43% da frota neste período, a redução no número de atropelamentos será de 29%. Se for considerado o total geral de acidentes, a redução será de 17,9% e em relação às mortes no local, terá ocorrido uma redução de 2,1%.
Isolando 22 vias onde há radares e analisando o número de acidentes 12 meses antes do início do funcionamento dos equipamentos e 12 meses depois, a Diretran verificou que em 16 delas a redução no número de acidentes foi de até 50%. Nas outras seis a queda foi superior a 50%.
O levantamento feito com base nas informações do Siate mostrou ainda que os atropelamentos tiveram redução de mais de 50% depois da implantação dos equipamentos em 11 das 22 vias estudadas. Em relação ao número de vítimas, a redução foi superior a 50% em nove das 22 ruas com radares analisadas.
A mudança de comportamento do motorista curitibano também é verificada no levantamento feito pelo Departamento Nacional de Trânsito, do Ministério das Cidades. O anuário do Denatran de 2002 mostra que, entre as capitais brasileiras, Curitiba tem o menor índice de vítimas fatais por 10 mil veículos: uma vítima fatal para cada grupo de 10 mil veículos.
O curioso é que Curitiba, segundo o anuário, tem o maior número de carros por habitante – 47,1 veículos para cada 100 pessoas. A cidade apresentava tendência de redução de vítimas fatais desde 2000. Naquele ano o índice da cidade foi de 1,6 vítima fatal por 10 mil veículos, caindo para 1,3 em 2001. O levantamento de 2003 ainda não foi divulgado.
A mudança no comportamento do motorista é visível também nos números de acidentes que acontecem na cidade. Comparando apenas os dados do ano passado com uma projeção feita pela Diretran para o ano de 2004, com base nos dados do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran) e do Detran, é possível constatar que, levando em consideração o crecimento de 5% da frota neste ano, a redução do número de atropelamentos será de 24,4%.Além da queda na arrecadação, o percentual de motoristas multados também deve fechar o ano de 2004 com número menor. Levantamento parcial feito pela Celepar para a Diretran, revelou que de janeiro a agosto deste ano, 93% da frota de Curitiba não tiveram multas municipais, que são as de parada, circulação e estacionamento. O percentual de motoristas com uma multa foi de 5,5%, com duas, 1% e com três, apenas 0,3% da frota da cidade. Este é o maior índice de motoristas não multados desde a municipalização do trânsito, em 1998.