O superintendente do Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (Lactec), Aldair Rizzi, apresentou nesta terça-feira (24), durante a reunião semanal da Escola de Governo, no Museu Oscar Niemeyer, um diagnóstico da situação e as propostas definidas para superar as irregularidades administrativas e de gestão que provocaram déficit orçamentário na instituição. O Lactec é um centro de pesquisa, de desenvolvimento e de serviços tecnológicos, sem fins lucrativos e que tem como associados a Copel (principal investidor), ACP, Fiep, IEP e UFPR. Desde o ano de 2000 é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip).

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?Nós encontramos uma situação que, no mínimo, podemos chamar de gestão temerária no Lactec. Infelizmente, são muitas as irregularidades de gestão e administração, além de indícios graves de superfaturamento e de corrupção interna?, disse Rizzi, que assumiu a superintendência do Lactec no início de janeiro deste ano. ?As denúncias foram encaminhadas ao Ministério Público do Paraná e estamos reformulando a orientação gerencial e administrativa do instituto?, completou.

O governador Roberto Requião manifestou apoio incondicional às iniciativas do superintendente Aldair Rizzi e disse que o seu governo não admite, em hipótese alguma, que as irregularidades fiquem impunes. ?Você tem que jogar duro com estes funcionários que promoveram as irregularidades. Acabe com a marmelada no Lactec. A corrupção interna não pode continuar?, determinou Requião.

Irregularidades

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Rizzi explicou que a origem do déficit no Lactec se dá nos anos de 2002 e 2003. ?Neste período ocorreram aumentos salariais, novas contratações e incorporações de benefícios indevidos que aumentaram os custos com a folha de pagamento?, explicou. O superintendente disse que só com encargos foram gastos R$ 2,5 milhões em abril deste ano, sendo que só a remuneração dos funcionários, estagiários e bolsistas é de R$ 1,2 milhão.

?Quando houve a transferência de patrimônio e de recursos humanos da Copel para o Lactec também se repassaram os encargos, tais como pagamento da Fundação Copel, Pró-saúde e 2/3 de férias, que acabam representando 18,24% da folha de pagamento?, detalhou Rizzi. Segundo ele, é eliminando estas e outras irregularidades que a nova gestão vai diminuir as despesas e o déficit do instituto. ?Isto tudo, combinado com a queda de R$ 5,8 milhões na receita, representa 80% do déficit do Lactec?, disse.

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Outros problemas encontrados se referem ao contrato com consultores técnicos, tanto como pessoas físicas (pesquisadores autônomos) como pessoas jurídicas (empresas). Existiam 13 contratos de consultoria com pessoas físicas e atualmente são sete. No caso das pessoas jurídicas eram 32 e agora são 29.

?Encontramos consultorias de pessoas jurídicas internalizadas e algumas com remuneração de até R$ 50 mil mensais, que agora demandam na Justiça do Trabalho ações exigindo benefícios como 13º salário, FGTS, férias e outros. Uma irregularidade, que somada a outras pendências judiciais chegam a R$ 13,8 milhões?, afirmou. Rizzi disse que atualmente nenhuma empresa de consultoria está trabalhando nas dependências do Lactec.

Também colaboraram para o aumento do déficit do Lactec investimentos em empreendimentos como a Escoeletric, que é uma empresa de prestação de serviços alheia à atividade fim do Lactec, e no Centro Tecnológico Industrial do Sudoeste Paranaense (Cetis), que foi criado em 1988 por convênio entre a Prefeitura de Pato Branco, Copel e Lactec.

?No caso da Escoeletric, o prejuízo é de R$ 2,6 milhões, sendo que 60% para o Lactec e 40% para a Copel. A maioria dos contratos foi encerrada e só existem dois em andamento, com vigência até junho e outubro deste ano. Esta irregularidade foi encaminhada ao Ministério Público do Paraná?, informou Rizzi. Trata-se do Procedimento Administrativo nº 197/03 do MP-PR.

Os investimentos realizados no Cetis somam R$ 13,7 milhões e além do Lactec envolvem a Finep – Financiadora de Estudos e Projetos do Governo Federal, Copel e Paraná Tecnologia. Pelo convênio, cabia ao Lactec desenvolver produtos e implantar o Cetis, com obras civis e de infra-estrutura no valor de R$ 2,9 milhões, além da contrapartida para equipamentos no valor de R$ 1,7 milhão. ?As empresas instaladas no Cetis acumulam hoje um saldo devedor de R$ 3,2 milhões, entre equipamentos e módulos industriais?, destacou Rizzi.