Margarita Wasserman

Como sempre, muitas pessoas fazendo compras, escolhendo, trocando idéias… Aquela fila para chegar ao caixa para pagar, estava pequena. Uma senhora mantinha-se afastada do cliente a sua frente: ?Por favor?, disse outra ao chegar, ?quer adiantar-se mais um pouco??

?Não gosto de me acercar muito e ficar me encostando.?

?Ora, perto deste bonitão, até eu…? Riso do ?bonitão?…

E a outra: ?Não gosto nem que cheguem muito perto de mim e nem que coloquem as compras, quando estou pagando. Gosto de privacidade?.

?Minha senhora, se quiser privacidade, fique em sua casa…?

Dias depois: antevéspera de Páscoa, o supermercado lotado de clientes. Tanto homens como mulheres, com cestas e carrinhos cheios de ovos de chocolate e caixas de bombons. Todos demonstrando muita alegria e satisfação com suas compras. Filas enormes para chegar aos caixas para efetuar os pagamentos, mas parecia que ninguém estava se importando com a espera, que, aliás, não era muita… Apenas uma senhora muito bem vestida e com cara de estar ?de mal com o mundo? chegou reclamando: ?Estas mulheres loucas, gastando o dinheiro dos maridos em chocolate?. Outra respondeu : ?Sou viúva..?. Uma outra na fila falou: ?O brasileiro já tem poucos motivos para sentir-se feliz, um deles é o futebol, o outro o Carnaval e por último, comer chocolate! E também, se deixarmos de consumir chocolate, as fábricas vão fechar e o desemprego aumentar…?.

Mas aquela mulher continuou de ?cara amarrada?. Por certo uma pessoa muito infeliz!

Já era noite e, da janela do meu quarto, eu podia ver jovens carregando muitas sacolas de supermercado, com toda a certeza, cheias de chocolate…

Curitiba, 16 de abril de 2006

Margarita Wasserman – Escritora e membro do Instituto H. e G. do Paraná.