A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento está negociando investimentos no valor de R$ 2,5 milhões para serem aplicados até 2008 no programa de biodiesel. Trata-se do Programa Paranaense de Bionergia, que tem como objetivo permitir o acesso do agricultor familiar a essa modalidade de produção de energia.

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Segundo o coordenador do programa, Richardson de Souza, o acesso do agricultor familiar ao programa é o diferencial do Estado do Paraná, uma vez que pesquisas e experimentos com biodiesel estão acontecendo em todos os Estados, tanto pela iniciativa privada como pelas empresas públicas.

Outra preocupação do Governo do Paraná, explica Souza, é preparar os agricultores familiares para participarem desse mercado, bastante promissor. Para ter acesso aos benefícios fiscais oferecidos pelo Governo Federal, as usinas de biodiesel precisam ter o selo social, que será oferecido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário. Para isso, a usina terá que comprar 30% da matéria-prima do agricultor.

No Paraná, os agricultores familiares terão orientação para firmar contratos antecipados de compra de produção, inclusive na definição do preço que deve ser pago pelo mercado.

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A preocupação com o desenvolvimento de programas de bionergia deve-se à necessidade de substituição das matrizes energéticas diante da expectativa de escassez de petróleo no planeta. A previsão é que até 2012 a produção mundial de petróleo estará menor do que o consumo e até 2060 haverá escassez, de fato.

Até o final deste ano, a Secretaria da Agricultura quer oferecer resultados de pesquisa para orientar o produtor a desenvolver culturas com potencial de produção de óleo vegetal que pode ser utilizado nos motores a diesel. Essa pesquisa está sendo desenvolvida em parceria com o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

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A Secretaria está buscando alternativas de oleaginosas com potencial de produção de biodiesel, que possam integrar um sistema de produção agrícola e pecuária.

Ao participar desse sistema, a pequena propriedade não irá depender apenas da produção de grãos, mas poderá agregar valor com a produção de bioenergia. De acordo com Richardson de Souza, a intenção é que o agricultor familiar tenha acesso a mini-usinas de processamento para transformar a oleaginosa em óleo ou torta e farelo, produtos destinados à pecuária.

O Iapar é o braço executor desse programa ao identificar quais as principais oleagionosas com potencial de produção de óleo. O órgão está pesquisando espécies mais adaptadas às condições de clima e solo do Paraná para depois promover um zoneamento agrícola. Hoje, sabe-se que a soja e o algodão são culturas com tecnologia já definida para a produção do biodiesel. Mas existem outras culturas, como girassol, nabo-forrageiro, amendoim, canola, mamona, também com potencial de produção. A pesquisa está identificando as variedades que podem ser adaptadas às condições de clima e solo do Paraná.

Outras espécies oleaginosas que o Paraná não tem a tradição do plantio comercial, mas que pode vir a produzir em escala, são o cártamo, pinhão manso e tungue. O objetivo é que o agricultor familiar não fique dependente apenas da produção de soja, uma cultura vulnerável às oscilações de câmbio e do mercado internacional. Segundo Souza, qualquer elevação de preço da matéria-prima pode inviabilizar o programa de biodiesel.