Brasília – O senador Ney Suassuna (PMDB-PB), através de sua assessoria de imprensa, informou que não irá comentar as acusações recentes; irá explicá-las todas na próxima terça-feira (12), quando prestará depoimento no Conselho de Ética do Senado.

O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Sanguessugas, deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), disse ter ouvido do senador Ney Suassuna (PMDB-PB) que 90% dos parlamentares recebem uma ?beirada? das emendas.

Biscaia foi o primeiro a depor nesta terça-feira (6) no Conselho de Ética do Senado. Segundo ele, a afirmação foi feita quando o senador paraibano o procurou na sala da CPMI para ver o processo que corre contra ele.

Suassuna é acusado de participar do esquema de compra superfaturada de ambulâncias, feita, principalmente, por meio de emendas paralmentares. Hoje, ao conselho, Biscaia disse que, no mesmo instante em que ouviu as decalarações do senador, negou conhecer tal fato e afirmou que isso é crime. Ainda de acordo com o deputado, Suassuna disse que não estava envolvido no esquema, e que isso era "coisa" de seu ex-assessor, Marcelo Cardoso de Carvalho.

Segundo a assessoria de imprensa do senador paraibano, Suassuna teria dito que Biscaia está ?equivocado?. Não teria sido ele, Suassuna, quem disse que a maioria dos parlamentares recebem uma ?beirada? das emendas.

Outra acusação recebida pelo Conselho de Ética do Senado veio da ex-assessora do Ministério da Saúde, Maria da Penha Lino. Ela disse que chegou a verificar a existência de emendas para o senador Suassuna. Em um dos ofícios, supostamente enviados pelo senador no final do ano passado, ela informou a assessoria parlamentar que os valores não conferiam.

De acordo com a assessora parlamentar do Ministério da Saúde, Marliane Cavalcanti, que também depôs no conselho, os municípios paraibanos não tinham pré-projetos prontos para liberação de recursos para compra de ambulâncias. Segundo ela, um novo ofício, supostamente assinado pelo senador, do dia 30 de dezembro, pede que os recursos sejam redirecionados a uma organização não-governamental do Rio de Janeiro.

Marilane contou ao Conselho de Ética que em janeiro o senador ligou para saber da liberação de emendas e ela informou que a única que não havia sido aprovada pela área técnica foi a relativa a da organização não-governamental.

O senador Demóstenes Torres disse que o depoimento de Marilane Cavalcanti apresenta contradições. ?Ela deixa a entender que ele já sabia da existência desse ofício. Então, se era um ofício com uma assinatura falsa, se, para o senador, ele não existia, como ele cobra??, argumentou.