As negociações sobre um regime internacional de acesso e repartição de benefícios (ABS, na sigla em inglês) pelo uso dos recursos genéticos da biodiversidade sofreram um retrocesso no fim da tarde de hoje (29). A informação é de fontes diplomáticas brasileiras que participam das discussões na 8ª Conferência das Partes (COP 8) da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica, em Curitiba.

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Quando um acordo entre os países em desenvolvimento e desenvolvidos parecia estar próximo, o Canadá teria imposto uma série de condições à aprovação de um mandato de negociação. A proposta do Brasil, apoiada por grande parte dos países megadiversos, africanos e latino-americanos, é de que um regime de ABS seja apresentado até a próxima COP, em 2008 – período em que o País ocupará a presidência da conferência. "Foi um retrocesso com relação ao que tínhamos hoje de manhã", disse um diplomata.

O ponto crucial para o Brasil é que o texto provisório elaborado em Granada, na última reunião preparatória para a COP 8, no mês passado, seja adotado como documento base para as negociações. No primeiro rascunho da proposta que será encaminhada à plenária final, divulgado hoje, tanto o prazo de 2008 quanto a adoção do texto de Granada permaneciam entre colchetes (o que significa que não havia consenso quanto aos temas).

A discussão, de maneira geral, divide os países em em desenvolvimento (detentores da biodiversidade) e os países industrializados (detentores da tecnologia). A intenção do regime é combater a biopirataria, regulamentando o acesso aos recursos genéticos da biodiversidade dos países e a repartição de benefícios provenientes desse acesso – por exemplo, a repartição de lucros obtidos do desenvolvimento de drogas e cosméticos de origem natural.

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As negociações devem continuar até a plenária final da COP 8, na sexta-feira, quando uma decisão deverá ser adotada sobre a continuidade das discussões do regime.