"Houve mesmo uma pequena falha no sistema de comunicação que fornece a posição da Soyuz, disse o assessor de comunicação da empresa russa Energia, Ravil Khanitov, em Baikonur, no Casaquistão. A Soyuz é a nave que leva o tenente-coronel Marcos César Pontes à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês).

A falha de comunicação, de acordo com Khanitov, deixou o centro de controle sem informação sobre a trajetória da nave. Os controladores de vôo ficaram alguns minutos sem saber exatamente onde ela estava. Ele não soube precisar quantos minutos durou, mas disse que isso, de qualquer forma, não teve conseqüência sobre a trajetória da Soyuz. "Não houve nenhum problema", garantiu.

O incidente ocorreu nove minutos depois do lançamento, em Baikonur, no Cazaquistão. Ou seja, imediatamente depois de a Soyuz chegar à sua órbita ? que é a rota calculada para levar a nave com precisão ao ponto de atracagem com a ISS. Se houvesse algum desvio nessa rota, poderia ser preciso corrigir a trajetória.

Khanitov disse que a falha envolveu um sistema de controle de vôo que utiliza dados do satélite russo Molnya-1 para registrar a posição da nave momento a momento. Chama-se isso de telemetria, em linguagem técnica. Esses dados, por algum motivo, deixaram de chegar aos responsáveis pelo vôo em terra, deixando-os no escuro.

O mais importante, afirmou Khanitov, é que em menos de 10 minutos a falha foi detectada e diagnosticada. Para isso, os técnicos cruzaram informação de diversos sistemas, inclusive dados gerados pelos sistemas da própria nave. Com isso, puderam, primeiro, apontar a existência da falha, e depois comprovar que ela não teve efeito sobre a trajetória da nave.

De acordo com Khanitov, a Agência Espacial Russa, Roscosmos, está investigando a causa da falha e ainda deve demorar alguns dias para divulgar o resultado.