O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recusou há pouco, em entrevista coletiva, a análise de que exista disputa entre o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a direção do Banco Central sobre o ritmo de queda dos juros a ser implementado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) nos próximos meses. "Não tem disputa entre Mantega e o Banco Central Se alguém tem divergência com alguém, essa divergência será dirimida pelo presidente da República", declarou Lula, após visitar o "2º Feirão Caixa da Casa Própria", no Expo Center Norte, em São Paulo. Diferentemente do usual, o presidente não discursou na cerimônia que participou do evento.

De acordo com Lula, nem o BC está no governo para divergir do ministro Mantega, nem o contrário. "Eles estão lá para trabalhar e darem resultados positivos para a sociedade brasileira", disse.

Ainda ao tentar atenuar o embate entre o ministro e a autoridade monetária, o presidente da República disse que, em algumas vezes, a divergência política é relatada pela imprensa, como se fosse uma guerra, "e é uma simples divergência política "

"Graças a Deus, somos um País em que podemos ter pontos de vista diferentes sobre várias coisas", salientou.

Para Lula, há condições para que a Selic continue em queda. "Foi a sétima queda dos juros consecutiva (na última reunião do Copom). Os juros vão continuar caindo, a situação econômica está sólida, o País está crescendo, o salário está aumentando e o salário mínimo subiu", pontuou.

Além disso, ele insistiu que a posição de corte dos juros é do governo e, neste caso, cabe ao BC, ao Ministério da Fazenda e ao próprio presidente da República se enquadrarem e "todo mundo trabalhar unido". "Estamos com um olho na inflação e outro na queda dos juros", acrescentou, para afirmar, em seguida que o controle inflacionário é uma vitória da sociedade brasileira.