Brasília – Para o presidente da Associação Brasileira de Televisão Universitária, Gabriel Priolli, a construção de um novo modelo de televisão pública no país não vai abrir uma frente de competição com a televisão privada. Em sua opinião, os dois setores irão se complementar, tornando o sistema mais equilibrado no Brasil. ?O processo de construção da TV pública não é de oposição a TV privada. Cada uma tem sua função específica, o que pode vir a tornar o sistema de televisão mais equilibrado no país?, disse Prioli em entrevista à Rádio Nacional AM, na manhã do último sábado (5).

O tema da entrevista foi a reunião do 1º Fórum Nacional de TVs Públicas, que acontece esta semana em Brasília. O encontro, que chega às plenárias finais após ter sido iniciado em setembro do ano passado, deve mobilizar cerca de 500 pessoas, entre representantes do governo e da sociedade civil. Na ocasião, será finalizado o documento que vai subsidiar o Plano de Desenvolvimento do Campo Público de Televisão.

Segundo Priolli, a televisão privada no Brasil cumpre bem a sua função de entretenimento, ?tanto que é amada pelo povo?. Entretanto, frisa ele, esse segmento não tem como cumprir com todos os serviços sociais cabíveis que podem ser oferecidos à população. ?Serviços de informação nas áreas de cidadania, de educação, de saúde e de análises mais aprofundadas nem sempre cabem no modelo privado, podendo ser executados pela televisão pública?, pontuou. ?Diferentemente de uma TV estatal, a pública tem que informar com objetividade, sem ingerência política na sua gestão.?

Para Priolli, uma das contradições no serviço de telecomunicações no Brasil é a presença de televisões públicas ou estatais no sistema a cabo, que é pago, quando deveriam estar sendo veiculadas pelo sinal aberto (gratuito). ?É uma distorção que pode ser corrigida com a introdução da televisão digital, uma tecnologia que permite a ampliação do número de canais disponíveis. É o que estamos reivindicando dentro do Fórum de TVs Públicas?, sublinhou. ?As tevês universitárias, legislativas e comunitárias reivindicam esse espaço para ampliar o serviço. Há uma enorme fatia da população que tem acesso apenas à tevê aberta, e com grande carência de educação."

A Associação Brasileira de Televisão Universitária reúne 42 universidades e apresenta produções de cerca de 120 instituições de ensino do país.