O MON (Museu Oscar Niemeyer) abre para convidados no próximo dia 26, às 20 h, a exposição Rembrandt e a Arte da Gravura. A mostra, composta por 93 gravuras e duas matrizes originais, traz pela primeira vez ao público paranaense a oportunidade de ver essas obras-primas do mestre holandês Rembrandt Harmenszoon van Rijn (1606-1669). A exposição será aberta ao público em geral no dia 27 e poderá ser visitada até 25 de julho.

Apesar de o artista ter entrado para a história da arte como o autor de pinturas célebres, como A Lição de Anatomia e A Ronda Noturna, Rembrandt se impôs em sua época como o grande inovador na arte da gravura. A fama por seus exímios trabalhos em gravura lhe rendeu até uma lenda.

Segundo ela, a mais famosa gravura do pintor -Cristo Pregando, muito conhecida no século XVII-, foi apelidada de Gravura dos Cem Florins, devido ao preço que o artista teria pago para adquirir um exemplar para a própria coleção. A gravura, que integra a mostra, é considerada o equivalente em papel da tela Ronda Noturna.

O número de obras que estarão expostas dá a dimensão da importância dessa exposição. As 93 gravuras, provenientes do Museu Casa Rembrandt, em Amsterdã, representam quase um terço das 287 gravuras confeccionadas ao longo da carreira pelo artista. Técnica que só foi abandonada por Rembrandt ao final da vida.

Por terem sido produzidas há mais de 300 anos, as delicadas gravuras em papel serão exibidas em uma sala escura, mergulhada na penumbra. A luz intensa seria nociva. Por essa razão, o espaço estará pintado em cores escuras e os focos de luz, com no máximo 60 lux, estarão focados exclusivamente nas obras.

A mostra que chega a Curitiba percorre toda a carreira de gravurista de Rembrandt e têm exemplares dos diversos gêneros aos quais ele se dedicou. Subdivididas em nove segmentos, entre as gravuras estão os auto-retratos; as cenas bíblicas e religiosas -Velho e Novo Testamento-; cenas alegóricas e de gênero; nus, personagens e cenas mitológicas; paisagens; retratos e rostos.

Além da Gravura dos Cem Florins, há outras consideradas obras-primas, como o célebre Auto-Retrato, apoiado num muro de pedra (1639), Cristo apresentado ao povo (1655) e Júpiter e Antíope (1659). A criteriosa seleção feita pelos curadores Ed de Heer, diretor do Museu Casa Rembrandt, e Pieter Tjabbes tem o objetivo de mostrar toda a genialidade de Rembrandt na técnica da água-forte, sobretudo no uso da ponta seca. O que torna esta uma rara oportunidade de poder apreciar como o pintor inovou na técnica ao fazer mais uso das massas pictóricas do que da linha. Ao trabalhar a matriz em cobre, Rembrandt obteve uma impecável exploração dos contrastes claro-escuro.

Inovação

Embora a gravura já fosse um meio antigo na época, a técnica da água-forte usada por Rembrandt era recente. Em vez de requerer o manejo do buril, ferramenta por meio da qual uma imagem é sulcada no cobre, a água-forte permite ao artista desenhar com uma agulha em uma camada de resina colocada sobre o metal. Depois, a placa é mergulhada em ácido para ser corroída nos pontos em que a agulha raspou a resina, mantendo as outras partes intactas. Passado esse processo, aplica-se tinta e a matriz é levada a uma prensa.

Foi no uso dessa técnica que Rembrandt inovou. Ao contrário dos sulcos lineares e angulosos criados pelo buril, os sulcos criados pelo ácido são irregulares e, ao aplicar a tinta sobre eles, os resultados são diferentes. Foram essas diferenças entre a gravura tradicional e a água-forte que Rembrandt explorou. E foi além, utilizou outros instrumentos para gravar, como a ponta-seca, e fez experimentos com vários tipos de papel, vindos até do Japão.