Os dois maiores blocos eleitorais xiitas no Iraque anunciaram hoje a formação de uma aliança, que lhes dá uma forte chance de governabilidade na próxima gestão.

O acordo de coalizão entre o Estado de Direito, do primeiro-ministro, Nouri al-Maliki, e a conservadora Aliança Nacional Xiita Iraquiana, deixa o grupo a apenas quatro assentos da maioria no Parlamento.

A união pode consolidar o domínio xiita no governo do Iraque e, eventualmente, afastar a minoria sunita que perdeu sua posição de privilégio com a queda de Saddam Hussein em 2003, após a invasão norte-americana.

Tal resultado ameaça impulsionar novos episódios de violência num momento especialmente sensível no país, quando as tropas dos Estados Unidos se preparam para deixar o Iraque. Também pode assegurar que o vizinho xiita, o Irã, mantenha sua influência sobre assuntos iraquianos.

O acordo da coalizão foi anunciado durante uma entrevista a jornalistas, mas a questão sobre quem será o primeiro-ministro pode ameaçar arruinar seus planos de formar um governo.

“Apesar dos desafios e riscos, as duas coalizões concordaram em anunciar a formação de um único bloco parlamentar”, disse Abdul-Razaq al-Kazemi, da Aliança Nacional Iraquiana.

Al-Kazemi, que não respondeu as perguntas dos jornalistas, estava acompanhado por integrantes do Estado de Direito e do movimento do clérigo radical Muqtada al-Sadr, cujos seguidores foram o grupo mais forte da Aliança Nacional Iraquiana.

As eleições de 7 de março não resultaram num vencedor claro, o que obrigou a realização de extensivas negociações entre as facções políticas, aprofundando as divisões, na medida em que o debate político se arrasta há quase dois meses.

Além disso, há as medidas que Maliki tomou para alterar o resultados das eleições, que mostraram sua coalizão com duas cadeiras a menos do que a coalizão Iraqyia, do ex-primeiro-ministro Ayad Allawi, um xiita que conquistou sólido apoio dos sunitas ao fazer campanha pelo fim da política sectária.

Maliki exigiu a recontagem dos votos de Bagdá e um comitê encarregado de vetar candidatos com ligações com o regime de Saddam Hussein tenta barrar muitos políticos da lista eleitoral de Allawi.