Confrontos entre autoridades da Jamaica e traficantes transformaram ontem algumas áreas da capital do país, Kingston, em zonas de guerra. A polícia busca Christopher “Dudus” Coke, suspeito de ser um poderoso líder do narcotráfico do país. Autoridades locais querem extraditá-lo para os Estados Unidos. O Departamento de Estado norte-americano advertiu para o risco de violência em outros pontos do país e informou que o acesso ao aeroporto da capital está impedido, por causa da violência.

Partidários armados de Coke tomaram ruas da capital. Gangues queimaram uma delegacia de polícia e estocaram uma grande quantidade de armas, incluindo rifles de grosso calibre, segundo funcionários locais. A violência forçou várias companhias aéreas a cancelar voos. Vários países advertiram seus cidadãos para que não viajem a Kingston.

No domingo, o primeiro-ministro Bruce Golding declarou estado de emergência na capital e na cidade vizinha de Saint Andrews. Um policial foi morto ontem e dois, no domingo. A embaixada dos EUA suspendeu todos os serviços não essenciais por causa da situação instável na Jamaica, disse um porta-voz do Departamento de Estado.

O ministro da Segurança Nacional, Dwight Nelson, disse na televisão ter recebido relatos não confirmados sobre a mortes de vários civis. A polícia recomendou que as pessoas permaneçam em suas casas em Kingston, onde a iluminação foi cortada durante a noite. A polícia descreveu o risco de violência como “grave”.

Coke tem o apoio de alguns moradores de Kingston, que o veem como uma espécie de Robin Hood local, por ajudar jamaicanos pobres. Já para o Departamento de Justiça dos EUA, ele é um dos chefes do narcotráfico “mais perigosos do mundo”.

Promotores dos EUA acusam Coke de chefiar uma gangue internacional que vende maconha e crack na área de Nova York e em outras regiões. Ele foi formalmente acusado nos EUA em agosto por conspiração para o tráfico e por posse de armas ilegais. Caso condenado, pode pegar prisão perpétua. As informações são da Dow Jones.