O vice-presidente do Irã, Gholam Reza Aghazadeh, comentou nesta quinta-feira (24), em Viena, que o governo de seu país espera a realização de uma nova rodada de negociações com Alemanha, China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Rússia, apesar da falta de progresso do último encontro. Aghazadeh, que também dirige a Organização de Energia Atômica do Irã, conversou com jornalistas na capital austríaca depois de uma reunião com o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei.

Aghazadeh comentou ainda que a república islâmica não mais discutirá com AIEA as alegações de que seu país teria tentando produzir armas nucleares. O encontro de hoje ocorreu apenas cinco dias depois de o Irã e as seis potências nucleares terem participado de uma reunião em Genebra que terminou sem avanços com relação à possibilidade de um acordo.

O grupo de potências atômicas exige que o Irã suspenda seu programa de enriquecimento de urânio, um processo essencial para a geração de combustível usado no funcionamento das usinas nucleares. Em grande escala, o urânio enriquecido pode ser usado para carregar ogivas atômicas.

Os Estados Unidos e alguns de seus aliados suspeitam que o Irã desenvolva em segredo um programa nuclear bélico. O Irã sustenta que seu programa nuclear é civil e tem finalidades pacíficas, estando de acordo com as normas do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, do qual é signatário.

Em seus relatórios, os inspetores da AIEA têm informado não haver sinais de um programa nuclear com fins militares e os serviços secretos dos EUA divulgaram relatório há alguns meses afirmando ter evidências de que um programa nuclear militar mantido pelo Irã teria sido encerrado em 2003. Ainda assim, EUA e Israel não descartam a possibilidade de bombardear o Irã caso o país não desista do enriquecimento de urânio.