O vice-presidente da Venezuela, Elias Jaua, disse hoje que a batalha de meses do país para vencer uma crise energética estará encerrada em maio. “No mês de maio, o sistema de eletricidade do país se normalizará”, afirmou Jaua, em comunicado divulgado pelo Ministério das Comunicações.

Este é um dos primeiros sinais de confiança do governo de que a solução para o problema está se aproximando. A crise de energia na Venezuela começou em outubro, quando funcionários perceberam que a demanda estava ultrapassando em muito a oferta. O problema foi agravado por uma seca que prejudicou as usinas hidrelétricas, que fornecem 73% da eletricidade do país.

Hoje, Jaua disse que, com a temporada de chuvas começando, em maio, os níveis de água devem subir nos reservatórios das hidrelétricas. Com isso, elas poderão funcionar a pleno vapor.

O sistema Guri, principal fonte de geração de energia hidrelétrica do país, sofre com a queda no nível de seus reservatórios. Funcionários temiam que o Guri chegasse a um “nível crítico”, arriscando causar um colapso no sistema energético venezuelano. A seca, porém, parece estar diminuindo. Em várias ocasiões nas últimas semanas, o presidente Hugo Chávez afirmou que houve chuvas moderadas ou fortes em áreas onde estão os reservatórios.

Até agora, o governo de Chávez havia determinado racionamentos de energia em grandes e médias cidades, além de multas aos consumidores que não reduzissem seu consumo. Lojas e escritórios públicos foram forçados a abrir mais tarde ou fechar mais cedo. O vice, Jaua, não indicou quando o governo pode cancelar as medidas emergenciais, incluindo o racionamento. Funcionários, porém, já disseram que as medidas podem valer até junho, quando as chuvas devem voltar a encher os reservatórios.

Setor energético

Para garantir que não haja o mesmo problema na próxima temporada seca, o governo Chávez prometeu aumentar a capacidade elétrica instalada nacional em 25% este ano. Com isso, a capacidade instalada da Venezuela deve chegar a quase 30 gigawatts, em comparação com os 24 gigawatts do início de 2010.

O custo dessa ampliação na capacidade deve ficar em cerca de US$ 1 bilhão por gigawatt. Analistas apontam que o plano pode ser ambicioso demais pelo custo e pelo planejamento necessário para colocar as novas usinas energéticas em funcionamento.

A maioria das novas usinas deve ser de termoelétricas, disseram funcionários. Com isso, a Venezuela poderia usar melhor seus abundantes recursos de petróleo e gás, reduzindo a dependência de energia gerada por hidrelétricas.

A Venezuela nacionalizou seu setor elétrico em 2007. Os críticos de Chávez afirmam que a decisão do governo de manter os preços da eletricidade baixos, apesar da alta inflação, levou potenciais produtores a optar por outros setores, em meio aos temores de que os pagamentos do governo pelas usinas estariam vinculados à renda obtida com a cobrança aos consumidores. As informações são da Dow Jones.