Milhares de venezuelanos vestidos de branco marcham, neste sábado, em um protesto silencioso contra as mortes registradas durante as manifestações nas últimas três semanas no país. A coalizão de oposição, principal promotora dos protestos, reiterou que vai manter ações de rua até que sejam convocadas eleições gerais, que um canal humanitário seja aberto e que os presos políticos sejam libertados. Já o governo diz que a oposição está promovendo um golpe.

Pela primeira vez em três semanas de protesto, os manifestantes conseguiram cruzar o lado Leste, mais rico da capital, para o Oeste sem encontrar resistência policial. O legislador da oposição Freddy Guevara comparou a marcha em direção aos bairros mais humildes da cidade como se estivessem “atravessando o muro de Berlim”.

“Nós devemos lembrar que pessoas foram mortas enquanto lutavam pela causa que estamos defendendo”, disse Guevara neste sábado. “E se eles morreram por isso, nós não temos o direito de descansar”. A oposição argumenta que grupos armados pró-governo estão utilizando de violência nas manifestações.

No protesto da última quinta-feira, as vítimas, de entre 17 e 45 anos, “morreram eletrocutadas e por outras feridas causadas por armas de fogo”, afirmou o órgão de fiscalização venezuelano, em um comunicado divulgado na internet, sem dar mais detalhes. O Ministério Público disse que outras seis pessoas se feriram.

Muitas das mortes ocorreram em El Valle, no sudeste de Caracas, onde líderes de oposição dizem que 13 pessoas foram atingidas por um choque elétrico ao tentar roubar uma padaria protegida por uma cerca elétrica. Em outra área da cidade, um jovem deficiente foi morto a tiros no meio de um protesto contra o governo de Nicolás Maduro em um bairro pobre da capital, enquanto voltava para casa após um dia de trabalho.