O ônibus parou no terminal daquele bairro bem afastado do centro da cidade. Não desceu ninguém. Subi e percebi que as duas únicas passageiras permaneceram sentadas. O motorista manobrou contornando a esquina, rodou uns cinqüenta ou sessenta metros e freou, parando o ônibus defronte à uma casa. A passageira que estava sentada atrás saiu, contornou o ônibus, tornou a entrar pela porta da frente e, com muita dificuldade, auxiliou a outra a descer… Só então o motorista prosseguiu a viagem de retorno ao centro. Eu era, no momento, a única passageira e o cobrador um tanto aborrecido passou a conversar comigo: ?A senhora sabe, a gente sempre via aquela senhora passeando e depois ela pegava o ônibus pra vir pra casa. De repente, ela começou a ficar doente. Está cada vez pior, já não consegue andar sozinha, e aquela moça ?tonta?, que faz companhia pra ela, não fala nada?. Enquanto ele falava, o motorista me olhava pelo espelho retrovisor e meneava a cabeça confirmando o que o colega me contava… ?Nós não ligamos de deixá-la na frente da sua casa. Puxa, dá muita dó de ver como ela ficou, né?? E o motorista tornou a sacudir a cabeça, pra confirmar o sentimento dos dois…

Esta história é apenas uma de tantas que presenciei aqui em Curitiba: os motoristas que trabalham em transporte coletivo na cidade, na maior parte das vezes, são bastante cuidadosos e não se negam a prestar qualquer tipo de ajuda àqueles passageiros mais frágeis ou deficientes. Houve, realmente, um tempo em que as atitudes dos nossos motoristas eram bastante desagradáveis e dignas de protestos por parte dos curitibanos. Hoje, podemos dizer que nossos motoristas são merecedores de notas de louvor!

 Margarita Wasserman é escritora e membro do Instituto História e Geografia do Paraná.