Em humanos, a infecção se dá por meio do protozoário Giardia lamblia (que parasita o intestino delgado), geralmente ocasionada por contatos com água e alimentos contaminados ou com fezes de animais infectados, sendo mais freqüente em condições precárias ou quando da existência de hábitos inadequados de higiene, como o de não lavar as mãos. A informação é do médico pediatra Braz Roberto Bussadori, do Hospital Prof. Edmundo Vasconcelos (São Paulo, SP), que frisa ser alto o número de crianças infectadas devido às condições precárias de higiene, saneamento e tratamento de água nas grandes cidades. Bussadori informa que o quadro da giardíase pode ser assintomático ou apresentar desde sintomas gastrointestinais leves (dores abdominais esporádicas até dores mais intensas e quadros de diarréia alternando com períodos de evacuações normais) e sinais de má-absorção intestinal (perda de peso). Ele cita como mais suscetíveis as crianças e os indivíduos com sistema imunológico deprimido, portanto, considera a doença um problema grave.
 
Bussadori explica que a incidência de giardíase e o seu grau de sintomas variam entre as populações. Na Grande São Paulo, por exemplo, conta ser mais freqüente a incidência em creches e escolas da periferia, entre pessoas de nível sócio-econômico mais baixo e que, geralmente, apresentam maiores sintomas e conseqüências (desnutrição, diarréias de repetição). Para tratamento, ele recomenda melhores condições de higiene e orientação para as crianças e familiares acerca da forma de transmissão da doença. E, sobre a consciência das pessoas com relação à presença da giárdia, ele aponta duas situações: "Uma, quando a família leva seu animal a um veterinário regularmente, recebe orientação e o cão é tratado adequadamente – nesse caso, raramente se nota a presença do parasita. E outra, com crianças que moram em ambientes freqüentados por animais não-tratados, que não recebem vermífugos, ou em creches que possuem tanques de areia e ambientes freqüentados por animais contaminados".
 
Sobre a Giardíase Canina, o Médico Veterinário Marcelo Quinzani, diretor clínico do Hospital Veterinário Pet Care (São Paulo, SP), atribui a importância do controle ao fato de se tratar de uma zoonose, ou seja, uma "doença que pode ser transmitida ao homem pelos animais e vice-versa". Para evitar a contaminação, orienta adequações de manejo dos cães, pois, segundo ele, nenhum método isolado é totalmente eficaz. Para controlá-la, Quinzani sugere a adoção de um conjunto de ações: tratamento, limpeza, desinfecção do ambiente e dos animais e vacinação dos cães – essa ação, segundo ele, diminui consideravelmente a quantidade de oocistos expelidos nas fezes dos animais. Para isso, a Fort Dodge, líder mundial de fabricação de produtos para saúde animal, dispõe ao mercado a GiardiaVax, vacina para combate à giardíase canina. "A vacinação se mostra extremamente importante em ambientes com alta concentração de cães, como criatórios etc., e em cães que saem muito de casa", ressalta; ele explica que ambientes assim facilitam a contaminação pelo excesso de umidade. A respeito do perfil dos cães mais suscetíveis à doença, cita os animais que têm sistemas imunológicos baixos, como filhotes, indivíduos doentes e velhos. "Em filhotes, é grande a probabilidade de apresentar giardíase, pois eles geralmente vêm de criatórios (canis)", comenta; e reforça: "Após diagnóstico positivo, recomenda-se limpeza do animal e do ambiente, tratamento e vacinação".

No Canil Palo Verde (Campo Limpo Paulista, SP), dono de um plantel de 200 cães de 21 raças e de uma produção de 40 a 50 filhotes ao mês, o veterinário Ailton Blois conta que a vacinação contra Giardíase Canina foi adotada desde o lançamento da vacina aqui no Brasil. Segundo ele, o programa de vacinação proporcionou a redução significativa das infecções no canil. "Já adotávamos boas práticas para evitar a infecção dos animais, como limpeza e desinfecção do ambiente, mas o controle da doença ficou muito mais eficiente com a implantação do programa de vacinação", conta o Dr. Ailton, que aponta a infecção por giárdia como fato comum tanto em cães como em seres humanos.
Nos cães, a giardíase é causada pelo protozoário Giardia duodenalis e resulta da ingestão acidental de oocistos presentes nas fezes, nos alimentos ou até mesmo na água. É uma enfermidade parasitária de distribuição mundial, sendo classificada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como zoonose desde 1979. Em humanos, uma das fontes de infecção é o contato com animais de companhia e, nesse sentido, a água aparece com papel fundamental na veiculação da enfermidade; até os animais que consomem apenas água filtrada estão expostos à infecção, que pode ocorrer em visitas ao "banho e tosa", às clínicas de fisioterapia e por meio do uso de bebedouros públicos de parques e praças.

O sinal clássico da doença é o surgimento de fezes pastosas, fétidas ou diarréicas. Outros sinais clínicos incluem ainda vômitos, aumento da motilidade intestinal e, em alguns casos, flatulência. Em conseqüência disso, os animais podem apresentar perda de peso e desidratação, havendo risco de morte em quadros mais severos. O protozoário da giárdia pode infectar tanto cães filhotes como adultos; os animais jovens e os adultos que nunca foram expostos aos oocistos têm maior chance de apresentar sintomatologia clínica mais severa. Contudo, 80% dos cães infectados não apresentam sintomas clínicos, fator que dificulta a abordagem do veterinário no que diz respeito à sugestão de um protocolo de vacinação que contemple a Giardíase Canina, embora, mesmo assintomáticos, esses cães eliminem oocistos no ambiente, podendo infectar outros cães ou membros da família, especialmente crianças – a giardíase é uma das causas mais comuns de problemas intestinais em cães e seres humanos, e está presente em todos os estados brasileiros.