O secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, falou por telefone neste sábado com o ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, sobre a crise na Crimeia, informou neste sábado uma autoridade norte-americana, que falou sob condição de anonimato. Kerry “deixou claro que a continuidade da escalada militar e de provocações na Crimeia ou em outro lugar da Ucrânia, aliada a medidas para anexar a Crimeia à Rússia, iriam fechar qualquer espaço disponível para a diplomacia e exortou a máxima moderação”, de acordo com o funcionário do governo dos EUA. Kerry e Lavrov concordaram em conversar novamente em breve.

Em entrevista à BBC, o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Anders Fogh Rasmussen, disse que embora não tenha ocorrido uma resposta militar aos eventos recentes da Crimeia, a crise foi um lembrete das ameaças à segurança e estabilidade na Europa. “Eu acredito que os políticos de toda Otan irão agora repensar a discussão acerca de segurança e defesa”, afirmou. “Obviamente, a defesa tem um custo, mas a insegurança é muito mais cara.” Uma missão militar internacional composta de oficiais dos EUA e de outras 28 nações tentou novamente no sábado entrar na Crimeia, mas foi impedida por homens armados na cidade de Armiansk e precisou recuar.

Em Simferopol, por sua vez, um ato público foi realizado para a tomada de posse da primeira unidade das “Forças Militares da República Autônoma da Crimeia”. Cerca de 30 homens armados com fuzis AK-47 e outros 20 homens desarmados participaram da cerimônia. Eles foram empossados em um parque em frente de chama eterna aos mortos na Segunda Guerra Mundial. Sergei Aksyonov, o primeiro-ministro da Crimeia, compareceu à cerimônia e foi saudado por soldados com gritos de “Comandante!” Ele afirmou que seu principal papel, pelo menos até o referendo que discutirá a separação da Crimeia da Ucrânia e incorporação da região à Rússia, marcado para 16 de março, será “manter a paz”.

Na noite de sexta-feira, soldados pró-Rússia tentaram assumir outra base ucraniana em Sebastopol, resultando em impasse que durou vários

horas. O tenente-coronel Vitaly Onishchenko, vice-comandante da base, disse neste sábado que homens vestindo uniformes camuflados sem identificação chegaram à base na sexta-feira. Enquanto um grupo escalou uma parede de um dos lados da base, outro bateu um caminhão militar pesado contra os portões, segundo Onishchenko. Eles desligaram a luz, cortaram linhas telefônicas e exigiram que cerca de 100 soldados ucranianos, que se trancaram em um dos edifícios da base, entregassem armas e jurassem lealdade à Rússia. Os invasores deixaram o prédio por volta da meia-noite do horário local. Não foram relatados tiroteios ou feridos. Fonte: Associated Press.