O Parlamento da Turquia preparava-se nesta quinta-feira para votar a expansão da autoridade do governo para ordenar operações militares além das fronteiras do país na Síria e no Iraque, na medida em que os militantes do grupo Estado Islâmico intensificam sua ofensiva na direção de Ayn al-Arab, estratégica cidade síria de fronteira.

A votação, que deve acontecer após horas de debate, que começaram às 15h (horário local), deve provavelmente renovar mandatos já existentes que autorizam o Exército turco a fazer incursões na Síria e no Iraque a partir de seu território.

As medida devem também ampliar as instruções oficiais para permitir que tropas estrangeiras usem o solo turco para operações na Síria.

Mas a conquista de nova aprovação parlamentar para operações militares além das fronteiras não deve resultar em ações militares imediatas da parte de Ancara, que está hesitante em enviar forças em solo ou lançar ataques aéreos sem primeiro garantir um acordo de uma zona de exclusão aérea no norte da Síria, com o apoio dos Estados Unidos.

A votação desta quinta-feira ocorre em meio ao crescente caos nos 900 quilômetros de fronteira com a Síria, o que tem arrastado cada vez mais Ancara para o conflito com o Estado Islâmico.

Comandantes curdos sírios disseram nesta quinta-feira que os insurgentes do Estado Islâmico avançavam em seu ataque à cidade de Ayn al-Arab, na fronteira curda síria, apesar dos ataques aéreos da coalizão com o objetivo de enfraquecer o grupo extremista, forçando a fuga de milhares de pessoas para a Turquia.

“O cerco se intensificou e agora os jihadistas estão a alguns quilômetros da cidade”, disse Ismet Sheikh Hasan, ministro da Defesa da cidade sitiada, conhecida como Kobani em curdo.

“Uma grande quantidade de combatentes da Turquia se juntou às nossas tropas para proteger Kobani, mas eles são em sua maioria civis sem experiência. Nós os estamos treinando agora.”

Em comunicado separado, o Chefe do Estado-Maior da Turquia, Necdet Ozel, advertiu que o Exército turco está pronto para defender um túmulo no norte da Síria que é guardado por soldados turcos e que durante meses foi cercado por forças jihadistas.

“Não se esqueçam que 76 milhões de cidadãos da nação turca estão bem atrás de vocês”, disse Ozel em comunicado feito nesta quinta-feira aos soldados que guardam o túmulo de Suleyman Shah, considerado pela Turquia como território soberano. “A um pedido de ajuda de vocês, sintam-se tranquilos de que as Forças Armadas estarão bem ao seu lado”, disse ele.

O fato de a Turquia intensificar seu apoio à campanha contra o Estado Islâmico – tendo em vista que o país é membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) – pode transformar o campo de batalha, mas ainda não está claro o quanto as Forças Armadas do país vão elevar seus esforços de combate contra os insurgentes sunitas.

Autoridades turcas argumentaram que o âmbito do papel da Turquia na campanha vai depender das preocupações de segurança do país e se os Estados Unidos vão ampliar a campanha contra o grupo radial e incluir medidas para derrubar o presidente sírio Bashar Assad. Fonte: Dow Jones Newswires.