O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou há pouco em cerimônia na Casa Branca que decidiu indicar o juiz federal Brett Kavanaugh para a vaga aberta na Suprema Corte do país com a aposentadoria do juiz Anthony Kennedy no fim de julho. “Kavanaugh é reconhecido como uma das mentes jurídicas mais afiadas do nosso tempo”, elogiou Trump. “Não há ninguém no país mais qualificado que ele para essa vaga na Suprema Corte.”

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Agora, o magistrado escolhido enfrentará o que promete ser um trabalhoso rito de confirmação no Senado dos EUA. “Amanhã (terça-feira), começo a me encontrar com membros do Senado”, afirmou Kavanaugh, observado pelo presidente americano. “Se eu for confirmado, manterei uma mente aberta em cada caso”, prometeu.

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O Partido Republicano de Trump mantém uma maioria mínima na Casa, com 51 do total de 100 assentos, e os parlamentares democratas estão determinados a formar uma oposição ferrenha à indicação de Kavanaugh. Prova da fragilidade dessa superioridade numérica é que, no ano passado, quando Trump apontou Neil Gorsuch para a Suprema Corte, o líder do partido na Casa, Mitch McConnell, recorreu à chamada “opção nuclear” para contornar a tática de obstrução conhecida como “filibuster” adotada pelos democratas e eliminar a exigência de, no mínimo, 60 votos para confirmar indicações ao tribunal.

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No entanto, as eleições legislativas de novembro, nas quais cerca de um terço das vagas no Senado estarão em disputa, terão ampla influência no desenrolar do rito. É possível que senadores democratas candidatos à reeleição em Estados conquistados por Trump em 2016 sejam pressionados a apoiar sua indicação ao tribunal de última instância.

De todo modo, o senador republicano John Kennedy disse que estava se preparando para uma dura batalha de confirmação à medida que democratas devem explorar o tema do aborto – uma maioria mais conservadora na Suprema Corte, que conta com nove juízes, poderia estar mais disposta a confirmar restrições estaduais à interrupção de gravidez e, talvez, até derrubar a jurisprudência segundo a qual o procedimento é um direito constitucional das mulheres.

Assim, alguns democratas voltaram suas atenções a pressionar as senadoras republicanas Susan Collins e Lisa Murkowski a se opor a qualquer nomeação que ameace a jurisprudência em torno do direito ao aborto. Ambas apoiam o acesso a serviços de interrupção de gravidez.

Ciente do possível impasse, Trump declarou em seu discurso na Casa Branca que o Senado terá o poder de “proteger a herança gloriosa” do Judiciário americano confirmando a nomeação de Kavanaugh. O indicado, por sua vez, garantiu que “nenhum presidente fez consultas mais amplas” para a Suprema Corte que Trump.

Além disso, Kavanaugh destacou fazer parte da comunidade católica do Distrito de Columbia, onde fica a capital Washington, e reforçou que “a separação constitucional dos Poderes protege a liberdade” dos cidadãos dos EUA. “Um juiz tem de ser independente. Tem de interpretar a lei, não criar a lei”, disse. (Com informações da Associated Press)