Soldados e tanques sírios cercaram hoje a cidade de Hama, devastada em 1982 pelo pai do atual presidente Bashar al-Assad, após um levante. O ativista pelos direitos humanos Mustafa Osso disse que várias pessoas foram detidas na cidade.

Em 1982, as tropas do então presidente Hafez Assad mataram entre 10 mil e 25 mil pessoas em Hama, segundo estimativas da Anistia Internacional. Há dados conflitantes, e o país não tem uma estimativa oficial.

O reforço na operação militar e as prisões parecem uma tentativa de evitar outro dia de protestos pelo país amanhã, quando os muçulmanos se reúnem para as tradicionais preces semanais. Mais de 750 pessoas já morreram e milhares foram detidas desde o início do levante na Síria, em meados de março.

Hoje, o primeiro-ministro Adel Safar apresentou um novo programa para empregar 10 mil pessoas formadas em universidades em instituições do governo, segundo a agência estatal Sana. O desemprego na Síria está na casa dos 20%.

Rami Abdul-Rahman, diretor do Observatório Sírio para os Direitos Humanos, afirmou que as prisões continuam pelo país, antes dos protestos previstos para amanhã. “As autoridades estão prendendo qualquer pessoa que possa se manifestar”, disse.

Assad está determinado a reprimir os protestos, apesar da pressão internacional e de sanções da União Europeia e dos Estados Unidos. Em Washington, o Departamento de Estado denunciou a repressão “bárbara”.

Analistas dizem que o governo do presidente Barack Obama reluta em pedir o fim do regime de Assad temendo que uma revolução na Síria leve o caos àquela região do Oriente Médio, com impacto significativo para Líbano, Irã e outras nações. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.