O ministro de Comércio Exterior e Turismo do Peru, Martín Pérez, afirmou ontem que foram retirados 595 turistas que estão presos em Aguas Calientes, um povoado perto das ruínas incas de Machu Picchu, informa, em seu site, o jornal “El Comercio”. “Hoje (ontem) tivemos um excelente resultado, pudemos realizar 36 voos de evacuação com 595 turistas”, afirmou Pérez à agência Andina.

O ministro previu que, caso as condições climáticas permitam, o número de pessoas retiradas hoje da zona isolada pode chegar a 800 ou mesmo mil pessoas. A zona está isolada por via terrestre, após fortes chuvas interromperem a ligação ferroviária, única opção geralmente disponível para os turistas.

Pérez informou, segundo o “El Comercio”, que chegaram mais dois helicópteros para ajudar na retirada, elevando o total dessas aeronaves para 13. Ontem, em nota, o Itamaraty afirmou que havia “cerca de 180 brasileiros” isolados na área, no sul do Peru.

O ministro peruano disse que dos 1.900 turistas que estavam inicialmente presos, restam agora 800. Essa cifra, porém, deve subir com a chegada de 670 turistas que ficaram presos no chamado Caminho Inca, que leva a Machu Picchu, em dias anteriores. Pérez afirmou ainda que estão sendo levados nos helicópteros mantimentos para as pessoas presas. Segundo ele, “todos os helicópteros saem com água e comida e retornam com passageiros”.

Suborno

Pelo menos sete pessoas morreram por causa das fortes chuvas no Peru. Somente na região de Cuzco, o governo peruano já confirmou cinco mortes. Um turista chileno, Fernando Celis, afirmou no início da semana ao jornal “El Mercurio” que alguns turistas estavam subornando guias, para que deixassem primeiro o local.

O primeiro-ministro peruano, Javier Velásquez Quesquén, rechaçou ontem que haja qualquer preferência. Segundo ele, apenas estão sendo retirados primeiros idosos, crianças e mulheres, sejam peruanos ou estrangeiros.

Uma turista argentina, Adriana Spina, afirmou ontem ao “El Comercio” que a situação no local é crítica. “Estamos desde a quinta-feira (passada) sem comida, só nos dão água, estamos desesperados”, disse. “Tudo subiu de preço e (meu marido) já não tem dinheiro, porque não funciona o cartão de crédito”, relatou ela, que já deixou o local, onde seu marido permanecia.

Machu Picchu é um dos destinos turísticos mais populares na América Latina. O local recebe mais de 400 mil visitantes por ano. A fortaleza inca do século 15 está localizada em uma alta montanha, a 70 quilômetros de Cuzco. A ferrovia que transporta os turistas ao local está coberta de lama.