Uma meia-ilha no Extremo Oriente, a 500 milhas da costa da Austrália, Timor-Leste sofreu e vem sofrendo pela ganância do homem. Esse pequeno país com um pouco mais de 800 mil habitantes foi colonizado pelos portugueses, em 1512, que permaneceram por lá até 1975. Logo que os portugueses saíram de Timor, o território foi invadido pelos militares indonésios, que estabeleceram, durante 24 anos de ocupação, um terror sob um forte regime militar, deixando um saldo de 250 mil timorenses mortos, na qual exterminou-se dois terços da população.

No dia 20 de maio de 2002, Timor-Leste obteve a sua independência, passando a ser administrado pelo Primeiro Ministro Mari Alkatiri e pelo Presidente Xanana Gusmão. Muitos daqueles que lutaram pela independência nos tempos passados e ficaram refugiados nas montanhas de Timor, organizados em guerrilha, com armas em punho, hoje com muito orgulho ocupam cadeiras importantes do governo republicano democrático timorense. Mas a luta desses chefes de governo, nos dias atuais, é outra: com canetas em mão tentam lutar pela soberania da nação que, devido às pressões econômicas internacionais, está longe de ser alcançada. O maior problema atualmente é o petróleo.

Ao longo da costa timorense existe uma das maiores bacias petrolíferas do mundo e uma grande reserva de gás natural. Mas por questões de superioridade e arrogância diplomática, política e militar, a Austrália questiona e afirma que uma parte do campo de exploração lhe pertence. Se fosse resolvido o impasse com os australianos sobre o petróleo e o gás natural, a economia de Timor-Leste sairia do vermelho e deixaria de estar entre os vinte países mais pobres do mundo. Embora a área de exploração esteja situada em águas territoriais timorenses, a Austrália insiste em definir uma parte para si. O que mais deixou perplexo a comunidade internacional foi que Camberra anunciou, no ano passado, que Timor poderá entrar na corte internacional, para resolver a discussão, mas não será acatada nenhuma decisão por parte das autoridades governamentais australianas. E as negociações da ONU, nesse caso, apenas estão no papel; as Nações Unidas nem se quer comentam o problema internacionalmente.

Num país que tem uma extensão de 480 km de comprimento por 100 de largura, a ONU conseguiu mostrar a sua capacidade de não conseguir resolver os problemas humanitários. As Nações Unidas conseguiu apenas cumprir uma questão em Timor-Leste, que foi estabelecer a segurança do Estado através de um órgão criado por ela própria chamado PKF (Peace Keeping Force).Por meio deste órgão mantém 24 exércitos de diferentes nações, desde de dezembro 1999, que somam um contingente de dez mil soldados, fora os oficiais. Essas tropas de paz permanecerão na ilha até o final de 2004. Com a estrutura da PKF, já se gastou milhões de dólares, para manter um monstruoso aparato sem necessidade. Ocorre que existem exércitos, junto da PKF, que não se justifica a sua estada em Timor. Toda logística que a ONU montou é grandiosa, enquanto a população local passa necessidades e o país continua em ruínas, as escolas precárias, leite para alimentação das crianças inexiste e as condições de higiene básica são nulas.

Fora a PKF foi estabelecido um outro órgão, o UNTAET (Unitet Nations Transitional Administration East Timor), o qual esteve sob administração do diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, que conduziu o país até o dia da independência, sendo o maestro da burocracia e da incompetência da maioria dos funcionários da ONU. Esse órgão mostrou-se em númeras vezes inconseqüente. Aprova foi quando estabeleceram um prazo máximo de três meses aos parlamentares timorenses, para discutir e aprovar a sua Constituição Nacional. A ONU tentou demonstrar seu papel em Timor-Leste, mas nem num território tão pequeno conseguiu resolver coisas tão simples. O grande problema é que a maioria dos funcionários da ONU não convive com a realidade e dificuldades do povo, pois estes funcionários têm remunerações altas e montam um mundo aparte: nos seus locais de trabalho e nos seus alojamentos.

Apenas espero que os nossos irmãos lusófonos consigam futuramente obter sua verdadeira soberania e as Nações Unidas siga realmente os princípios fundamentais de sua fundação. Os exemplos bons deveriam ser seguidos e o Timor-Leste é um deles. Após um período muito longo de ditadura, destruição e assassinatos, não se conseguiu implantar a raiz do ódio nesse povo. O mundo deveria aprender ser tolerante como os timorenses do Leste.


Arthur Conceição trabalhou para a representação do Vaticano em Timor-Leste, durante dois meses e meio (dez 2002/ fev 2003)