O Timor Leste declarou estado de emergência depois que ataques de soldados amotinados contra os principais líderes do país deixaram o presidente José Ramos-Horta em condições críticas. As tentativa de assassinato ontem contra Ramos-Horta e o primeiro-ministro Xanana Gusmão – heróis da independência timorense – jogou o país que só recentemente conquistou sua independência numa nova crise, com temores de mais levantes e turbilhão político.

Os primeiros de um contingente de 120 soldados australianos desembarcaram na capital Díli para reforçar a missão internacional de paz no país. Mais cedo, cerca de 30 policiais australianos haviam chegado para reforçar uma missão da Organização das Nações Unidas (ONU) já no Timor Leste. Médicos operaram Ramos-Horta, de 58 anos, por três horas durante a noite para extrair fragmentos de balas e fechar feridas no tórax, disse o doutor Len Notaros, do Royal Darwin Hospital.

"Sua condição continua extremamente séria mas, ao mesmo tempo, estável", afirmou Notaros. "Os próximos dias serão definidores. Acho que ele tem muita sorte de estar vivo". Ramos-Horta, prêmio Nobel da Paz de 1996 por sua resistência pacífica a décadas de ocupação indonésia, foi baleado no tórax e estômago por atiradores em dois carros. Soldados rebeldes atacaram uma hora depois um comboio levando o primeiro-ministro Xanana Gusmão. O ex-guerrilheiro escapou ileso. O líder rebelde Alfredo Reinado e um de seus homens morreram no ataque ao presidente. Um dos guardas presidenciais também morreu.

O presidente em exercício Vicente Guterres anunciou a imposição do estado de emergência por dois dias num discurso à nação por rede de rádio e tevê. Ficam proibidas manifestações públicas, a polícia ganha poderes extras de busca e prisão e um toque de recolher noturno é imposto. "Nosso país está agora numa situação extraordinária e um estado de emergência irá trazer de volta a normalidade", disse Guterres. "Peço a colaboração de vocês".

Enquanto ele discursava, soldados e policiais internacionais patrulhavam as ruas de Díli e efetuavam buscas em carros em postos de checagem. A maioria das lojas e negócios abriram e o tráfego era normal. Não houve notícias imediatas de conflitos. Ramos-Horta foi inicialmente submetido a cirurgia num hospital de campanha australiano em Timor Leste, e depois foi levado de avião para o hospital na cidade nortista de Darwin, na Austrália.