A juíza Sonia Sotomayor foi confirmada ontem para a Suprema Corte dos Estados Unidos. O nome dela foi aprovado em votação no Senado por 68 votos a favor e 31 contra. A maioria dos republicanos rechaçou seu nome, argumentando que ela tem um viés liberal e que seus conceitos pessoais afetariam suas decisões. Já os democratas avaliam a magistrada como uma moderada. Sonia é a primeira hispânica a ocupar um posto na principal instância do Judiciário norte-americano e a terceira mulher a ocupar uma vaga na Corte.

A magistrada é a primeira indicação do presidente Barack Obama para a Suprema Corte. Sonia vai jurar amanhã em uma cerimônia privada aberta apenas para seus familiares. Haverá em seguida um segundo juramento, comandado pelo presidente do tribunal, John Roberts, com a presença da imprensa e de amigos. Ela se encontrará na semana que vem com o presidente dos EUA, Barack Obama. “Com esta votação histórica, o Senado afirmou que a juíza Sotomayor tem o intelecto, o temperamento, os antecedentes, a integridade e a independência de juízo para servir adequadamente no nosso máximo tribunal”, afirmou Obama.

A juíza substituirá David Souter, um liberal indicado por um presidente republicano. Com isso, deve ser mantido o equilíbrio entre conservadores e liberais na casa. No entanto, o processo de confirmação de Sonia mostrou fortes divergências entre os parlamentares. As divisões devem permanecer conforme outros cargos na Suprema Corte ficam vagos – pelo menos mais um magistrado deve deixar o tribunal durante o mandato de Obama.

O partido republicano lamentou o conceito do presidente norte-americano de que um juiz deve demonstrar “empatia”. Seus escritos e discursos “refletem a crença de que a imparcialidade não apenas é impossível, mas que nem sequer vale a pena”, disse o senador Mitch McConnell, líder do bloco republicano. “No tribunal da juíza Sotomayor, os grupos que não estavam à altura de suas preferências costumam ser privados de sua empatia”, afirmou.

Nomeação histórica

Apesar das restrições dos republicanos, os democratas viram a nomeação como histórica para o país. “Quando ela pousar sua mão sobre a Bíblia e jurar no cargo, o novo retrato dos membros da Suprema Corte claramente refletirá o que nós somos como nação, em que acreditamos como pessoas honestas, justas e auspiciosas”, declarou o senador Robert Menéndez, o único hispânico democrata do Senado, poucos minutos antes da votação. Com informações da Dow Jones.