A iniciativa brasileira de negociar uma saída diplomática para a crise síria tem sido usada por Damasco para mostrar que o governo tem apoio internacional. Ontem, a agência de notícias estatal Sana disse que o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, elogiou as reformas propostas pelo presidente sírio, Bashar Assad, durante encontro com o vice-chanceler Fayssal Mikdad, em Brasília.

“O ministro Patriota expressou como seu país aprecia as reformas do presidente Assad, indicando que o diálogo político é a melhor forma para resolver os problemas”, diz o texto, que trazia uma montagem unindo as bandeiras brasileira e síria. Não há citação às críticas recentes do chanceler brasileiro à violência do regime contra opositores.

Em Nova York, diplomatas estrangeiros indicaram ontem que a iniciativa brasileira de mediar a crise serve apenas para o regime sírio fazer propaganda interna. O governo brasileiro é visto como muito distante dos acontecimentos, apesar de o país ter uma das maiores comunidades da diáspora síria do mundo.

Em junho, Estados Unidos, França e Grã-Bretanha ficaram irritados com a relutância do Brasil em apoiar uma resolução condenando a violência do regime de Assad, que já provocou a morte de cerca de 1,3 mil pessoas. O texto proposto por americanos e franceses não previa sanções ou intervenção militar, como no caso da Líbia. Mesmo assim, os brasileiros disseram que não votariam a favor. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.