O governo da Síria enviou tanques para perto da fronteira com o Iraque, num momento em que o presidente Bashar al-Assad sofre grande pressão para acabar com a repressão contra os levantes pró-democracia, segundo informaram ativistas à France Presse.

Pelo menos seis civis morreram depois que novos protestos começaram na cidade de Deir Ezzor, no leste do país, disse um ativista dos direitos humanos. Soldados realizaram uma campanha agressiva nas montanhas do norte, fazendo com que milhares de pessoas fugissem para a Turquia.

Os ativistas disseram ainda que as forças de segurança arrasaram vilas próximas a Jisr al-Shughur, cidade no nordeste tomada pelo Exército no domingo, e mataram quatro integrantes de uma família ontem.

A violência na Síria já tirou a vida de 1.297 civis e 340 soldados das forças de segurança desde que as manifestações começaram em meados de março, de acordo com o último balanço divulgado pelo Observatório Sírio de Direitos Humanos.

As potências europeias continuam fazendo campanha por um projeto de resolução condenando a repressão, sustentada por afirmações do enviado especial de que o atraso da ação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) causou a perda de centenas de vidas.

Rússia e China se opõem fortemente à ação da ONU contra Assad e poderiam vetar qualquer resolução. O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, telefonou para o presidente Assad hoje, pedindo a ele que encerre a repressão e inicie reformas, informou a agência de notícias Anatólia.

A ONU disse que mais de 10 mil sírios fugiram para os países vizinhos. Há 5 mil pessoas no Líbano, disse a porta-voz de assuntos humanitários da organização, Stephanie Bunker. Já uma autoridade turca disse que mais de 8,5 mil sírios cruzaram a fronteira para a Turquia.

A coordenadora de emergência da ONU, Valerie Amos, fez um apelo ao governo sírio para que permita uma análise da equipe humanitária da organização. A Síria tem se recusado a deixar os especialistas do órgão visitarem cidades arrasadas.

Os refugiados que chegaram à Turquia disseram que o confronto entre os soldados sírios começou no domingo, quando aqueles determinados a destruir a área enfrentaram outros que tentavam defender os habitantes locais. Oficiais de uma divisão de tanques assumiram posições próximas a pontes que levam à cidade numa tentativa de defendê-la, relataram os refugiados.

“Os soldados estão divididos”, disse Abdullah, de 35 anos, que saiu de Jisr al-Shughur no domingo e cruzou a fronteira da Turquia para buscar comida. “Quatro tanques desertaram e eles começaram a atirar uns contra os outros”, relatou, acrescentando que os soldados agora estão em Ziayni, uma cidade a apenas seis quilômetros da fronteira com a Turquia. Essas informações não puderam ser confirmadas, uma vez que a Síria impede a entrada de jornalistas na área.

A Síria responsabiliza o que chama de “gangues terroristas armadas” pelos protestos e diz que os soldados iniciaram operações em Jisr al-Shughur a pedido dos habitantes, depois que 120 policiais foram massacrados no local. Ativistas dos direitos humanos disseram que os mortos eram manifestantes desarmados, alegando que o derramamento de sangue começou durante uma revolta de soldados que se recusaram a atirar em habitantes da cidade. As informações são da Dow Jones.