O ministro da Defesa russo, Anatoly Serdyukov, assinou hoje acordos com seus colegas da Abkházia, Merab Kishmaria, e da Ossétia do Sul, Yury Tanayev, que permitem que Moscou mantenha bases militares na região rebelde da Geórgia por quase meio século, informaram as agências de notícias Interfax e Itar-Tass. “O acordo assinado tem o objetivo de proteger as repúblicas e o povo da Ossétia do Sul e da Abkhásia”, disse Serdyukov. Ele afirmou esperar que mais tratados com os dois territórios sejam feitos em breve, dentre eles um de “cooperação técnico militar”, um termo usado geralmente por funcionários russos para descrever a venda de armas.

O vice-presidente do comitê de assuntos externos do Parlamento da Geórgia, Giorgi Kandelak, disse que o acordo assinado é um impulso à ocupação “bárbara” das duas regiões, consideradas por Tbilisi como parte do território georgiano. “Estamos lidando com uma ocupação bárbara. Esse tratado é uma expressão do aprofundamento dessa ocupação e colonização”, disse. “Isso é uma tentativa de legalizar a ocupação e a limpeza étnica”, afirmou ele.

Os acordos têm vigência por 49 anos, com opção de renovação sucessiva por cinco anos. Eles permitem a colocação de 1.700 soldados russos em cada região, embora isso não inclua as centenas de guardas russos que também estão estacionados nos territórios. O quartel-general de Moscou na Abkházia será na cidade costeira de Gudauta, no Mar Negro. Já a base na Ossétia do Sul deve ser na cidade de Tskhinvali.

A Rússia também se comprometeu a defender o espaço aéreo das duas regiões e as águas da Abkházia no Mar Negro, além de treinar seus militares. Moscou reconheceu as duas regiões como Estados independentes após uma breve guerra contra a Geórgia no ano passado, uma medida condenada pelos países ocidentais aliados da Geórgia. As informações são da Dow Jones.