As negociações no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para a aprovação de uma resolução condenando o regime de Bashar al-Assad pela violência na Síria não avançaram. Rússia e China discordam do texto e países como o Brasil também indicaram que devem ficar contra.

A resolução foi formulada em conjunto pela Grã-Bretanha, França, Alemanha e Portugal, com o apoio dos Estados Unidos. Os redatores buscaram elaborar um texto que pudesse evitar a oposição de chineses e russos, que têm poder de veto no conselho, mas a iniciativa foi insuficiente.

Moscou e Pequim, assim como Brasília, questionam alguns pontos da resolução. O texto pede o fim da violência, libertação de prisioneiros e reformas na Síria, mas não exige a adoção de sanções específicas ou a possibilidade de uma interferência externa, como foi no caso da Líbia.

Autoridades americanas e europeias estavam esperançosas de que as consultas no CS levassem a um consenso para a aprovação, mas acabaram fracassando. Os esforços tinham como objetivo convencer a China e a Rússia a apenas se absterem de votar, sem usar o veto. Na segunda resolução contra a Líbia, quando foi estabelecida uma zona de exclusão aérea, eles se abstiveram, assim como o Brasil.

Para uma resolução ser aprovada, são necessários nove votos dos 15 países integrantes do Conselho de Segurança e nenhum veto dos cinco membros permanentes. Mas o ideal seria conseguir a unanimidade que reforçaria a legitimidade da resolução. O Brasil, mesmo sem poder de veto, era considerado fundamental por ser uma democracia emergente. Mas uma entrevista do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, esvaziou as expectativas das nações defensoras da resolução. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.