Policiais do Iêmen que tentavam dispersar milhares de manifestantes contrários ao governo mataram duas pessoas e deixaram pelo menos 47 feridas, segundo informaram testemunhas. Em uma das cidades, os manifestantes invadiram um prédio do governo.

Homens armados dispararam contra os opositores na cidade de Bayda, na região central do Iêmen, a partir do telhado de um prédio pertencente ao partido governista. Duas pessoas morreram e sete ficaram feridas, afirmou o ativista Ghazi al-Amiri. Em Taiz, no sul, a polícia fez disparos com munição de verdade e balas de borracha para dispersar os manifestantes, ferindo 40 pessoas, informou o médico Sadeq al-Shujah.

Taiz tem sido um centro de manifestações contra o governo. O ativista Nouh al-Wafi disse que a multidão tomou o controle do prédio do Ministério do Petróleo e colocou uma faixa na entrada do edifício na qual estava escrito: “Fechado até segunda ordem pela revolução da juventude”.

Bushra al-Maktari, ativista de Taiz, disse que a polícia lançou gás lacrimogêneo contra os manifestantes e que o governo enviou reforços para enfrentar as milhares de pessoas que estão acampadas na praça central da cidade. As demonstrações também aconteceram em Áden, Hadramawt, Hodeida e outras cidades do país.

Há semanas os manifestantes exigem a renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh, em protestos que muitas vezes reúnem milhares de pessoas. Saleh se mantém no poder e afirma que, se deixar o cargo sem uma sucessão organizada, o braço da Al-Qaeda no Iêmen vai se aproveitar da situação e o caos vai se instalar no país.

Acordo

Saleh rejeitou as propostas de mediação realizadas no mês passado e que pareciam ter resolvido a crise. O Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) apresentou um pacote de medidas segundo o qual Saleh nomearia seu próprio sucessor, não seria processado e deixaria o cargo em 30 dias. A proposta foi aceita com relutância pela oposição, mas no último minuto Saleh voltou atrás e se recusou a assinar o acordo.

Hoje, o Conselho tentou ressuscitar o pacote de medidas. “A iniciativa do CCG é a melhor solução e uma saída para a dramática situação do país, para interromper o derramamento de sangue e impedir uma maior deterioração da segurança e o aprofundamento da divisão política”, disse o secretário-geral do grupo, Abdullatif bin Rashid al-Zayani, em comunicado divulgado hoje. Segundo a imprensa local, al-Zayani deve ir ao Iêmen no sábado para discutir a iniciativa.

Também hoje o Departamento de Estado norte-americano ofereceu apoio ao acordo do CCG e exigiu que, enquanto isso, o governo do Iêmen pare de disparar contra os manifestantes. “Nós pedidos às forças de segurança iemenitas que exerçam o máximo comedimento, evitem a violência e respeitem os direitos do povo de se reunir livre e pacificamente e de expressar sua opinião”, afirmou o porta-voz Mark Toner em comunicado. “Nós pedimos aos envolvidos que assinem e implementem agora os termos do acordo (do CCG) para assegurar uma transição de poder ordenada e pacífica. A transição deve começar imediatamente”, acrescentou. As informações são da Associated Press.