Renúncia de Fidel não empolga cubanos em Miami

As ruas do bairro Little Havana, em Miami, nos Estados Unidos, amanheceram sem muita alteração diante da notícia de que o presidente cubano, Fidel Castro, havia renunciado ao poder. Motoristas no bairro da comunidade formada por exilados cubanos opositores de Fidel buzinavam ao passar por equipes de tevê que aguardavam a abertura das lanchonetes.

Ulises Colina, um eletricista de 65 anos, disse que não tinha certeza de que a renúncia provocará qualquer mudança em Cuba ou nos EUA. "Acho que já se sabia que sua carreira política iria terminar em breve", afirmou Colina.

A maior parte dos exilados vê Fidel como um ditador cruel que os forçou, a seus pais ou a seus avôs a deixar suas casas depois que ele tomou o poder na revolução de 1959. Mas a visão deles sobre as relações cubano-americanas é mais variada.

Colina acredita que qualquer mudança em Cuba terá de vir através dos militares, que têm o status de classe média na ilha comunista. "Mudanças? Bem, ele é o chefe da gangue, mas ele tem um punhado de auxiliares que não querem ver nenhuma mudança", avaliou Colina.

Especialistas em Cuba não esperam mudanças imediatas na ilha comunista, ou que Fidel irá desaparecer por completo de vista. "Não acredito que alguém tão narcisista será removido totalmente do poder", opinou Andy Gomez, do Instituto de Estudos Cubano e Cubano-americano da Universidade de Miami. "Ele vai continuar a ser consultado. O que você deve ver agora são rostos novos, mais jovens".

Cerca de 1,5 milhão de cubanos e cubano-americanos vivem nos EUA 65% na Flórida, e a maioria em Miami, segundo o censo americano. Desde que começaram a chegar, a região de Miami tornou-se majoritariamente hispânica, com bolsões de pobreza.

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