O presidente Hugo Chávez, aparentando humildade depois de sua primeira derrota eleitoral, avaliou que ele pode ter sido ambicioso demais ao pedir aos eleitores para deixarem que ele concorresse a um número ilimitado de mandatos consecutivos e endossarem um grande passo na direção de um Estado socialista. "Entendo e aceito que a proposta que fiz foi muito profunda e intensa", afirmou ele nesta madrugada após os resultados oficiais mostraram que a reforma constitucional por ele proposta havia sido derrotada por 51 a 49% dos votos.

A oposição ficou exultante logo depois da zero hora de hoje quando, com 88% dos votos contados, a tendência foi declarada irreversível pelo presidente da comissão eleitoral, Tibisay Lucena. Alguns oposicionistas não contiveram as lágrimas. Outros começaram a gritar: "E agora ele vai sair!".

Setores contrários à reforma eleitoral – como a Igreja Católica, defensores da liberdade de imprensa e líderes empresariais – afirmavam que ela iria dar a Chávez poderes ilimitados e comprometer direitos básicos.

Chávez disse a repórteres no palácio presidencial que o resultado da votação de ontem o ensinou que "a democracia venezuelana está amadurecendo". Seu respeito aos resultados das urnas, acrescentou, prova que ele é um verdadeiro democrata. "De agora em diante, vamos acalmar", propôs, pedindo o fim de violentos protestos de rua que marcaram o período pré-eleitoral. "Não existe ditadura aqui".

Chávez, que foi afastado brevemente por um fracassado golpe de Estado em 2002, estimou que sua derrota deveu-se ao baixo comparecimento às urnas entre muitos partidários que o elegeram um ano atrás com 63% dos votos.

Chávez propunha a alteração de 33 artigos da Constituição e a Assembléia Nacional, de outros 36. Os eleitores votaram nos dois blocos separadamente. Na campanha, Chávez apresentou a reforma como um passo decisivo em sua "revolução socialista bolivariana" incluindo a introdução de formas "comunais", "sociais" e "coletivas" de propriedade. Para a oposição, a reforma mergulharia o país numa "ditadura militarista e socialista". Se aprovada, o mandato presidencial passaria dos atuais seis anos para sete e o presidente poderia concorrer à reeleição um número ilimitado de vezes. Atualmente, Chávez não poderá buscar um novo mandato presidencial em 2012.