A Coreia do Norte sentenciou um professor norte-americano a oito anos de trabalhos forçados e a uma multa de US$ 700 mil por ele ter entrado ilegalmente no país. Aijalon Mahli Gomes reconheceu que cometeu o ato ilegal durante um julgamento, ontem, na Corte Central, informou hoje a agência estatal norte-coreana.

É o quarto norte-americano preso na Coreia do Norte desde o ano passado. O governo local informou em março que havia prendido Gomes, de 30 anos, por ele ter entrado ilegalmente no país a partir da China, em 25 de janeiro. Gomes havia ensinado inglês na Coreia do Sul e não se sabe exatamente o que o motivou a ir para a Coreia do Norte.

Jo Sung-rae, um ativista que vive em Seul, afirmou que Gomes pode ter se inspirado em um missionário norte-americano que fez viagem similar, em dezembro, para protestar por abusos contra os direitos humanos cometidos por Pyongyang.

“Foi examinado o ato hostil cometido contra a nação coreana e a entrada ilegal na fronteira, pelo que se formularam as acusações e se confirmou a culpabilidade”, afirmou o texto da agência estatal norte-coreana. Os veredictos da Corte Central, máximo tribunal do país, são finais e não estão sujeitos a apelações, informou o Ministério da Unificação em Seul.

Apesar disso, Yoo Ho-yeol, um especialista em Coreia do Norte da Universidade da Coreia do Sul, afirmou que é quase certo que Gomes seja liberado. Aparentemente, segundo ele, Pyongyang quer usar o caso para aumentar sua margem de manobra em negociações sobre seu programa nuclear com os EUA. A família de Gomes se mostrou preocupada com a sentença e reza pelo seu rápido retorno, disse uma porta-voz dos familiares, Thaleia Schlesinger.