Manifestantes com facões, pedaços de madeira e coquetéis molotov entraram em confronto com a polícia na Indonésia hoje, por várias vezes, deixando 90 pessoas feridas na capital Jacarta. Os manifestantes acreditam que funcionários do governo estavam tentando remover o túmulo de um clérigo árabe que ajudou a disseminar o islamismo no norte de Jacarta no século 18. O túmulo está localizado em terras pertencentes à operadora portuária estatal Pelindo II.

A polícia estima que 500 pessoas participaram dos protestos. Algumas pessoas tiveram ferimentos graves, dentre elas um policial cuja mão foi decepada. Meios de comunicação locais informaram que pelo menos duas pessoas foram mortas durante as manifestações. O porta-voz da polícia de Jacarta, coronel Boy Rafli Amar, disse que não há mortos. “Pelo menos sete policiais ficaram bastante feridos e ainda não recebemos informações completas sobre quantos manifestantes estão feridos”, disse Amar.

Cerca de 2 mil oficiais de segurança e 600 policiais usaram gás lacrimogêneo, canhões de água e cacetetes para espantar os manifestantes perto do principal porto do país, no norte de Jacarta, disse o porta-voz da cidade, Cucu Kurnia. Os manifestantes atiraram pedras e coquetéis molotov, incendiando pelo menos cinco veículos policiais e destruindo dezenas de outros. Um fotógrafo da Associated Presse viu vários manifestantes serem espancados pela polícia e serem levados sangrando, dentre eles adolescentes.

Mal-entendido

O protesto teve início bem cedo, quando centenas de funcionários de segurança da cidade apareceram nas proximidades do túmulo com escavadoras. Kurnia negou que o túmulo fosse o alvo das obras, afirmando que o objetivo era remover os imóveis invadidos da região. “Não tínhamos a intenção de demolir o túmulo, mas queremos expulsar os moradores ilegais. Na verdade, o governo quer preservar e restaurar o túmulo”, disse Kurnia.

Mas os manifestantes entenderam outra coisa e atacaram as forças de segurança, dando início a confrontos que duraram várias horas. Uma segunda rodada de lutas ocorreu horas mais tarde do lado de fora do hospital para onde os feridos foram levados. Ao cair da noite, os confrontos haviam sido interrompidos, mas a situação continuava tensa.

Kurnia disse que as autoridades ficaram surpresas com a reação dos que vivem perto do túmulo. “A raiva em massa foi horrível e além de nossas expectativas para o que era um caso simples”, disse ele. Kurnia disse que 90 pessoas ficaram feridas nos confrontos e sete estão em estado grave, dentre eles um integrante das forças de segurança da cidade esfaqueado.

Uma enfermeira que atendeu ao telefone no hospital onde os feridos foram levados disse que não sabe o número exato de feridos, mas que os quartos do hospital estão cheios de pessoas sangrando e com arranhões. Ela desligou o telefone sem dizer seu nome. Kurnia acusou pessoas irritadas com a disputa de terras de enganar outras, usando seus crenças religiosas, para promover a violência.